Sobram dificuldades

Euler Antônio Vespúcio

A Assembléia de Minas Gerais aprovou reajuste de 41,7% para os servidores da segurança pública, mesmo com as dificuldades financeiras do Estado. O projeto vai para a sanção do Governador, Romeu Zema. O Governador de São Paulo, João Dória, afirmou ser o reajuste um erro e esse, se sancionado, poderá servir de parâmetro para os servidores dos demais Estados fazerem o mesmo pleito.

Todos os servidores têm direito a reajuste, para manter o poder de compra de seus vencimentos. Espanta, até para eles, essa medida nesse momento, pois o reajuste somente agudiza a situação financeira do Estado, que não consegue arcar com suas obrigações, inclusive paga os salários de forma parcelada.

Aliás, as dificuldades financeiras de Minas são antigas, sendo um exemplo a construção dispensável da Cidade Administrativa, inaugurada dia 4 de março de 2010, sob a justificativa de economizar e ter no mesmo local todos os órgãos. Hoje, essa decisão ainda é contestada, seja pela não diminuição dos gastos públicos, dificuldades de mobilidade, suspeitas de corrupção, erros de construção. As cidades têm o mau hábito de abandonar os locais antigos e construír novos prédios em outras regiões, em vez de recuperar os atuais.

Já nesta segunda-feira, 2, a polícia do Ceará finalizou a greve, a qual foi politizada desde o início. A proposta do Governo foi aprovada, sem anistia para os policiais participantes do movimento. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, de forma equivocada e política, emitiu nota afirmando ter o movimento terminado de forma pacífica, esquecendo-se de mencionar a disparada da criminalidade no período, as ameaças do governo federal de retirar as forças federais enviadas para garantir a lei e a ordem, ou mesmo a atitude de policiais furando pneus de viaturas.

Todos são a favor da manutenção do poder de compra dos salários dos servidores, mas temos de ter mecanismos para garantir o pleno funcionamento dos serviços públicos.

Agora, o verão 2020 trouxe chuvas recordes, elas deixaram as cidades brasileiras em estado de alerta, com perdas materiais e humanas. É o resultado do aquecimento global, refutando os negadores de sua existência, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Após os prejuízos, agora as cidades desenvolvem projetos para incentivar soluções ecologicamente sustentáveis. Infelizmente, somente com sofrimento e prejuízos, as pessoas se dão conta de cuidar melhor do meio ambiente.

Enquanto isso, o Brasil teve os primeiros casos confirmados do coronavírus. Alunos e trabalhadores, que viajaram para países com grande número de casos, passaram a ficar de quarentena. A economia sentiu os efeitos, bolsas em queda, baixa dos preços de commodities, paralisação da produção industrial e o receio de aumento da recessão gerou a sinalização de diminuição das taxas juros pelos bancos centrais.

eulervespucio@yahoo.com.br

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