Só 26% de postos médicos legais têm estrutura própria em MG

Maior parte dos espaços para necropsias da perícia criminal funciona em funerárias, cemitérios e hospitais

Da Redação 

Dos 61 postos de medicina legal existentes no Estado, apenas 16, ou 26,3% deles, contam com estrutura física própria. Os outros 45 funcionam em locais como funerárias, cemitérios e hospitais, cedidos para que a Polícia Civil possa fazer necropsias. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 4, pela chefe da Divisão de Medicina Legal do Interior da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) da Polícia Civil, Tatiana Telles e Koeler de Matos.

Ela participou de audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), solicitada pelo presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PTB), pela deputada Celise Laviola (MDB), e pelos deputados João Leite (PSDB) e Betinho Pinto Coelho (Solidariedade). A reunião discutiu a precariedade da perícia criminal em Minas.

De acordo com Tatiana Telles, a SPTC tem buscado investimentos para a implantação de espaços adequados à atividade, mas, no momento, não há recursos financeiros e humanos para tal.  

Exclusivo 

Em resposta aos questionamentos, o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Wagner Pinto de Souza, disse que o problema da Polícia Civil não é exclusivo da perícia técnica. 

— Temos muitos problemas estruturais, de recursos. É difícil dividir um bolo pequeno para uma grande família — argumentou.

Ele relatou que, nos últimos dois anos, a PC não recebeu nenhum investimento, contando apenas com recursos para custeio, R$ 128 milhões no ano passado e R$ 92 milhões neste ano.

Ainda segundo Wagner Souza, da verba recebida neste ano, R$ 5 milhões foram destinados às atividades periciais, o que seria a maior liberação dos últimos cinco anos. Ainda assim, os recursos são escassos. Conforme relatou também, os custos para a instalação de um Posto de Perícia Integrado (PPI) são elevados, o de um único pavimento chega a custar R$ 2,5 milhões; e de dois pavimentos, R$ 10 milhões.

Ele ainda relatou que o déficit de pessoal no setor é de 895 delegados, 99 médicos legistas, 306 peritos, 4.696 investigadores e 1.448 escrivães.

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