Situação é crítica duas semanas após mudanças no Minas Consciente

Secretaria de Estado de Saúde diz que cenário é resultado de uma série de fatores

Da Redação

Em 27 de janeiro, o Governo de Minas anunciou mudanças no plano Minas Consciente, ao apresentar a terceira versão do programa. A alteração estabeleceu o funcionamento de todas as atividades, independente da onda. Assim, comércio e eventos, por exemplo, estão liberados mesmo que a cidade esteja na onda vermelha, mas seguindo regras.

— Nos serviços essenciais, tínhamos um distanciamento linear de 2 metros na onda vermelha. Passamos para 3 metros. Então, isso já é uma vez e meia a mais de restrição. Em relação à metragem quadrada, é importante lembrar que se temos um supermercado de 1.000 metros quadrados, no máximo 100 pessoas podem estar ali. Esse tipo de mudança é o que vai trazer impacto. Então, contamos que os proprietários passem a ter esse controle, vendo quantas pessoas estão lá dentro, porque isso que vai permitir que ao longo do tempo a gente tenha todas as atividades funcionando e com o critério sanitário maior ainda — explicou à época o secretário de Estado de Saúde, o médico Carlos Eduardo Amaral.

Outra alteração trazida pela nova versão do Minas Consciente foi, para eventos, a limitação de 30 pessoas na onda vermelha, 100 na onda amarela e 250 na onda verde.

— Nas ondas vermelha e amarela, o protocolo é mais restritivo, envolvendo o controle de fluxo na entrada dos estabelecimentos, o limite de uma pessoa por atendente no comércio não essencial, a proibição de autoatendimento para reduzir o contágio dentro dos estabelecimentos, a medição de temperatura na entrada e o estímulo aos agendamentos — informou o Governo de Minas.

Em relação aos hotéis e atrativos culturais e naturais, na onda vermelha é permitido 50% da ocupação; na onda amarela, 75%; e, na onda verde, 100%.

Regras anteriores

Antes da aprovação da nova versão, as regras do Minas Consciente estabeleciam o funcionamento, na onda vermelha, apenas de serviços essenciais ‒ como supermercados, padarias, farmácias e bancos. Já na onda amarela eram permitidos os serviços não essenciais, incluindo, por exemplo, lojas de artigos esportivos, livrarias e salões de beleza. Os serviços não essenciais com alto risco de contágio, por sua vez, eram liberados somente na onda verde ‒ como academias, teatros, cinemas, clubes.

Colapso

Cerca de duas semanas após a implantação das novas liberações do Minas Consciente, cidades têm enfrentado o colapso nos sistemas de saúde. Segundo o Governo de Minas, o estado registrou aumento de 3,2% no número de casos e 4,1% nos óbitos pela covid-19 na última semana. Sete macrorregiões estão na onda vermelha e sete na amarela.

A situação mais crítica é da região Triângulo Norte. Mais de 30 pacientes foram transferidos de Coromandel para outras cidades. A Prefeitura do município decretou, nesta terça-feira, 16, o funcionamento apenas de serviços essenciais ‒ medida válida até a próxima terça-feira, 23. Divinópolis já recebeu 12 pacientes vindos da cidade e também de Monte Carmelo.

Questionada sobre uma possível relação entre as mudanças no Minas Consciente e o aumento dos casos em todo o estado, especialmente na região do Triângulo Norte, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) atribuiu a alta a uma combinação de fatores, entre eles, a diminuição dos protocolos de segurança. 

— A população em geral passou a transitar e viajar com mais intensidade; é possível que os dados ainda sejam um reflexo das celebrações de fim de ano, o que gerou aglomerações e, consequentemente, aumento na taxa de transmissão. Diante do aumento nos casos de covid-19 no Triângulo Mineiro, é necessário reforçar a importância do distanciamento e das medidas preventivas para evitar a doença — alertou a SES.

Quanto à possibilidade de implementação de mudanças no Minas Consciente, a  secretaria não respondeu.

 — A SES-MG reforça que o Minas Consciente é destinado a orientar a possibilidade de flexibilização das medidas de isolamento social de forma responsável nos municípios. A decisão sobre implementar ou não as medidas, bem como o acompanhamento contínuo de qualquer medida de flexibilização, é de responsabilidade das prefeituras — disse a secretaria.

Como a fiscalização cabe aos gestores municipais, que podem contar com o apoio da Polícia Militar (PM) e da população, por meio de denúncias de descumprimento das regras, a reportagem questionou a Prefeitura de Divinópolis o que tem sido feito para barrar o avanço da covid-19 na cidade. Até o fechamento desta página não houve retorno da assessoria de comunicação, mas, em entrevista ao Agora na segunda-feira, 15, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) falou sobre o assunto.

— A questão do Carnaval a fiscalização está em cima para não acontecerem muitas festas clandestinas. A gente pretende manter essa fiscalização para que possa continuar na onda amarela, e acredito que chegando semana que vem a gente tem possibilidade até de voltar para a onda verde — disse.

 

 

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