Sintram repudia fala dos vereadores Eduardo Azevedo e Flávio Marra

Da Redação

A diretoria do  Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro -Oeste (Sintram) divulgou nesta sexta-feira uma nota de repúdio às falas dos vereadores Eduardo Azevedo (PSC), em relação aos servidores da Câmara de Divinópolis, e do vereador Flávio Marra (Patriota), relativa aos servidores do Crevisa, feitas na terça-feira, 23.

— Ambos os vereadores em seus discursos tentam jogar a população contra os servidores municipais de Divinópolis. Curioso que a ação de ataques aos servidores parece articulada com o Executivo, que, em menos de um mês de mandato, conseguiu que o sindicato registrasse várias reclamações da categoria relativa ao trato inadequado das chefias, inclusive de assédio
moral. Agora, temos a informação que a própria vice-prefeita é "acostumada" a tratar os servidores aos gritos.  No início do mês, o  Sintram já oficiou e cobrou providências ao prefeito e inclusive a vice sobre essas denúncias de condutas inadequadas e ilegais — afirmou o sindicato na nota.

— De um lado, o vereador Eduardo Azevedo, irmão do prefeito, afirma que existem "marajás" na Câmara e que esses deveriam trabalhar 24 horas. É importante destacar que os servidores efetivos da Câmara não estão no serviço público por indicação ou a "reboque" do irmão deputado estadual. Ao contrário disso, prestaram concurso público, oportunidade que é aberta a
todos os cidadãos. Estudaram, passaram no concurso e por mérito e a legislação pertinente à época conquistaram a atual remuneração. Não burlaram a lei ou cometeram qualquer ilegalidade. Há que ter respeitar a história de cada trabalhador municipal. Se hoje a Câmara Municipal de Divinópolis é referência em conhecimento técnico e inovações para muitas
outras cidades da região é porque detrás dos vereadores e seus gabinetes estão os servidores de carreira executando todo trabalho técnico, legislativo e de transparência à comunidade — acrescentou o Sintram.

— "Marajá" é denominação adequada para o senhor vereador, que chegou ao serviço público sem nenhum esforço, apenas com o "nome" e "transferência de votos" do seu irmão deputado e o melhor com salário inicial de mais R$ 9 mil, com quatro assessores e todas regalias necessárias em seu gabinete. Qual sua história pela população de Divinópolis? Pelo serviço público municipal, senhor vereador? A cidade te conhece pelo seu irmão, não pelo seu esforço e trajetória — destacou o sindicato no texto.

— Agora, nós, servidores, temos história e trajetória dentro do serviço municipal e merecemos respeito. É preciso reconhecer o trabalho do funcionalismo, ao invés de ataques e desrespeito como está sendo a marca deste atual governo e seus aliados, em poucos meses de administração — ressaltou.

— Senhor vereador,  se a cidade não parou totalmente durante a pandemia e não tivemos um colapso do sistema de saúde é porque estavam à frente os servidores públicos. Não somente na Saúde, mas em todos os cantos do município, somos nós, que levamos os serviços essenciais à população. A principal função da Prefeitura é prestar serviço à população. E quem presta
e executa esse serviço? Nós, servidores! Sem a nossa classe, a cidade para. Antes de atacar o funcionalismo, saia do comodismo das redes sociais e vá até aos locais de trabalho conhecer a realidade, conversar com a categoria, ver nossas dificuldades. Muitos de nossos servidores estão adoecendo, estão lidando com a falta de equipamento de proteção (EPIs), falta de material de trabalho, amontoados no Centro Administrativo sem o espaçamento mínimo seguro contra a covid-19. É importante ter consciência da importância da presença do trabalhador no serviço municipal. Hoje, estão faltando psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, na rede municipal, mesmo com o concurso vigente e a administração não tendo feito a nomeação. Sabe quem sofre com a falta dos nossos profissionais? A população — acrescentou o sindicato.

— Por fim, senhor vereador Eduardo Azevedo, marajás são aqueles políticos que usam do populismo, são muito bem remunerados, ficam só no discurso, mas de fato não fazem  NADA para o povo. Ao contrário disso, servidores municipais, são trabalhadores, que entraram pela porta da frente da Prefeitura, por meio de concurso público, não precisaram atacar e ter apoio de ninguém, foi simples mérito e esforço. E é bom que a população saiba que os servidores, em sua maioria, com anos de serviço público têm salários na faixa de R$ 2 mil, mesmo com curso superior e pós. Os altos salários, em sua maioria, estão reservados aos cargos de prefeito, vice, secretários, comissionados e vereadores — destacou.

— De outro lado, temos o vereador Flávio Marra, que também utilizou a tribuna para atacar os servidores do Crevisa. Os discursos conjuntos de Marra, em vídeos nas redes sociais, com o vereador Eduardo Azevedo, também parecem combinados na tribuna da Câmara, de ataques aos servidores. O Sintram, como representante do funcionalismo, vem alertar ao vereador que é fundamental, antes de trazer denúncias ao público, a apuração dos fatos. Caso contrário, a Câmara será palco para ataques e denuncismos irresponsáveis — ressaltou o Sintram.

— Quais servidores não estão cumprindo a jornada? O papel de fiscalizador exige responsabilidade e informações oficiais. A Legislação municipal é clara relativa aos direitos e deveres dos servidores e há sim punições aos servidores, que não cumprem com suas obrigações. Antes de atacar o servidor municipal, os novos vereadores deveriam conhecer de perto a realidade de cada setor da Prefeitura e suas dificuldades.  O mínimo que exigimos dos senhores vereadores é respeito e responsabilidade. É preciso sair do denuncismo e fiscalizar e legislar com responsabilidade! Menos palanque e mais ação, é isso que nós, servidores, e toda a cidade espera de vocês, vereadores! — concluiu o sindicato na nota.

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