Sindicato em estado de greve

 

Da Redação

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal de Divinópolis (Sintemmd) protocolaram, na última segunda-feira, 25, o envio de um ofício ao gabinete do prefeito Galileu Machado (MDB). O documento explicita as demandas dos servidores, discutidas durante a assembleia, e pede o agendamento de uma reunião com Galileu. O encontro visa negociar essas exigências.  

Para a presidente do Sintram, Luciana Santos, este deve ser um momento de união entre os servidores, para o fortalecimento das demandas.

— Foi definido o estado de greve pela categoria então é fundamental que todos os servidores fiquem atentos à evolução dessa negociação e às convocações do Sintram e Sintemmd. Então é preciso que todos os servidores assumam o papel de lutar por seus interesses, atendendo sempre às convocações dos sindicatos. O Sindicato só é forte se o servidor se faz presente, que possamos todos estar juntos na Campanha Salarial 2019 e garantir nossos direitos — afirma Luciana.

Audiência

As demandas dos servidores foram decididas durante audiência pública realizada na última quinta-feira, 21. Durante o encontro, a categoria definiu as pautas a serem negociadas com o Executivo. Dentre os pontos deliberados na reunião estava a entrada em estado de greve, ou seja, caso a insatisfação e as demandas dos servidores continuem a ser ignoradas, a organização pode optar pela paralisação.

— A situação é um alerta para a administração de Galileu Machado que, a qualquer momento, o funcionalismo poderá entrar em greve — informou o sindicato.

Parte do descontentamento do funcionalismo público se deve ao não reajuste salarial.

— O estado de greve, pelo período de 120 dias, demonstra a insatisfação dos servidores com a administração Galileu Machado, que vem priorizando as nomeações eleitoreiras do seu grupo político (cabides de emprego) e, até o momento, não sinalizou que cumprirá a Lei Municipal 8.083 (Lei do Gatilho), que neste ano determina 4.59% de recomposição nos salários a partir de março, data-base da categoria — explica o Sintram sobre a decisão.

Outras reivindicações da categoria são: a cobrança das perdas salariais de 2017, o ganho real e o aumento do vale-refeição. Sobre este último ponto, decidiu-se pela necessidade de buscar, junto ao Executivo, o aumento do vale de R$ 8 para R$ 15, com um novo reajuste já agendado para o próximo ano. 

Pautas

Para a negociação com o prefeito, o Sintram espera conseguir também uma compensação pelas perdas salariais que, segundo a entidade, vêm acontecendo desde 2016.

— Somando todas as perdas, já são 8,13% de achatamento nos salários dos trabalhadores, o que impacta no poder de compra, já que alimentação, aluguel e tantas outras despesas, anualmente, são reajustados pelos prestadores de serviços e comércio, seguindo o índice inflacionário do período — explica.

A fim de entrar em acordo com o Município, o Sintram determinou a criação de uma comissão de negociação.

Baixa participação

Outro ponto abordado durante a audiência foi a necessidade de uma maior a participação dos servidores nas reivindicações e encontros. O sindicato definiu três pontos sobre essa questão.

— A promoção de um evento de conscientização para abordar o papel do servidor municipal na luta trabalhista, no Clube dos Servidores, em um fim de semana; grupos de estudo para verificar as causas do afastamento da luta coletiva; definição de representantes dos trabalhadores em cada local de trabalho para que sejam porta-vozes, facilitando, assim, a comunicação e deliberações coletivas de interesse da classe — destacou.

Protesto

Como já havia anunciado, o Sintram, junto com outras 16 organizações sindicais, caminharam pela região Central da cidade, em protesto contra a reforma da Previdência. O ato aconteceu na última sexta-feira, 22.

Para o vice-presidente do sindicato dos servidores, a proposta apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) à Câmara dos Deputados é prejudicial aos trabalhadores.

— Ele [Jair Bolsonaro] só quer sacrificar o trabalhador e a trabalhadora, por isso os sindicatos são contra. Estivemos na rua para denunciar e convidar todos os trabalhadores e trabalhadoras para, juntos, falarmos não à reforma — afirmou.

Segregação de Massas

Na última segunda-feira, o Sintram convocou os servidores para participar das reuniões da Câmara desta semana. De acordo com o sindicato, há rumores sobre uma possível votação do projeto Segregação de Massas. O pedido da entidade para que os vereadores retirassem essa proposta de pauta ainda não foi atendido e ele ainda continua em trâmite na Casa Legislativa. Ontem, ao menos dez membros do sindicato marcaram presença no local.

O Sintram e o Sintemmd enviaram, no início desta semana, um ofício ao líder do governo na Câmara, Eduardo Print Júnior (DC), pedindo a retirada imediata da Segregação de Massas da Câmara. Para os sindicatos, o projeto não seria eficiente para solucionar do déficit do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Divinópolis (Diviprev).

— A diretoria do Sintram está vigilante e cobra que os vereadores respeitem a decisão do funcionalismo municipal, uma vez que o Diviprev é patrimônio da categoria, e o seu futuro deve ser debatido de modo democrático e compartilhado pelos envolvidos e sem atropelos no intuito único de favorecer a atual administração — explicou o sindicato.

Em audiência pública com os vereadores, os servidores manifestaram ser contra a aprovação da Segregação.

 

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