Setembro Amarelo

Pelo quarto ano consecutivo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza em nível nacional a campanha “Setembro Amarelo”. O dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

Em 2019, o assunto voltou a ser alvo de muitos debates após o lançamento da série “13 Reasons Why”. Esta é a história de uma jovem adolescente que se matou e sobre os motivos pelos quais fez isso. A partir daí surgiu mais uma discussão sobre o “Efeito de Werther”, no qual acredita-se que, quando um caso de suicídio é muito divulgado, pode haver aumento da incidência de suicídio ou do número de tentativas. Após “13 Reasons Why” estudos indicam que houve um aumento de buscas no Google sobre suicídio ou formas de se matar.

Se outubro é o mês pela prevenção do câncer de mama, representado pela cor rosa, e novembro é pela prevenção de doenças masculinas, com a cor azul, o “Setembro Amarelo” é um movimento mundial para conscientizar a população sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em mais de 90% dos casos. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências, difíceis de serem reparadas.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública e mata um brasileiro a cada 45 minutos e uma pessoa a cada 45 segundos em todo o mundo. Pelo menos o triplo disso tentou tirar a própria vida e outras chegaram a pensar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 90% dos casos os suicídios são previsíveis por estarem associados a patologias de ordem mentais diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. Ou seja, de cada dez casos de autoextermines, nove podem ser evitados se houver o diagnóstico preciso dessas patologias, o devido tratamento e a assistência das redes de cuidado e atenção.
 
É preciso abrir espaço para campanhas de prevenção e reverter as estatísticas num mundo onde aproximadamente 800 mil pessoas se matam a cada ano, 2.200 a cada dia, e um novo caso é registrado a cada 40 segundos. No Brasil, são aproximadamente 12 mil casos por ano, o que dá uma média de 32 suicídios por dia.
 
Ainda assim, por incrível que pareça, este continua sendo um assunto invisível, fora do radar da sociedade. E não é difícil identificar alguém na família, no círculo de amizades ou na vizinhança que já tentou se matar ou consumou o ato suicida. Pode-se dizer que boa parte dessas pessoas que desapareceram em circunstâncias tão violentas ainda estaria entre nós se os mais próximos soubessem como agir quando determinadas pistas ou sinais dão conta de que algo não vai bem.
 
Além dos sintomas característicos das psicopatologias associadas ao suicídio (depressão, transtornos relacionados ao uso de substâncias, esquizofrenia, transtornos de personalidade etc.) é importante acompanhar eventuais mudanças de comportamento que indiquem a tendência ao isolamento social, desinteresse generalizado, angústia e aflição, baixo rendimento escolar ou produtividade. São alguns indícios de que algo pode estar errado.
 
Para enfrentar o tabu em torno do assunto – e a brutal desinformação que agrava as estatísticas – celebra-se em 10 de setembro o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Para dar ainda mais visibilidade a esse grito de alerta em favor da vida, a Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP) lançou o movimento “Setembro Amarelo”, que tenta associar esta cor à causa da prevenção do autoextermínio. A ideia é pintar, iluminar e estampar o amarelo nas mais diversas resoluções por aí.

O suicídio é um problema de saúde pública. Muitas vezes tomar atitudes que facilitem a busca por ajuda ou que dificultem o ato podem fazer a diferença, além de realmente diminuir as estatísticas. Vamos ficar alerta aos sinais que nos são dados e a ajudar a divulgar e a esclarecer pacientes e familiares sobre o assunto!

 

talytalaysilva@ig.com.br

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