Seria tão simples

Editorial 

As notícias das últimas semanas não são boas. Algumas bem piores do que quando a pandemia foi se alastrando pelo mundo. Os leitos das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) para tratamento da covid-19 lotados são apenas uma das situações elencadas. E não é exclusividade de uma ou duas cidades, é geral. Não há vagas! Os leitos de enfermaria também caminham para sua capacidade máxima. Os gestores públicos fazem o que dá. Quem tem condições de saúde, mesmo contaminado pelo coronavírus, é mandado para cumprir quarentena em casa, pois não há vagas. 

É assim, com o diagnóstico positivo nas mãos, muita fé e oração para que o quadro não se agrave, que muitas pessoas voltam para suas casas, para cumprir os 14 dias de isolamento social. Enquanto uns voltam aflitos, mas confiantes de que o melhor vai acontecer, outros lutam por suas vidas nas UTIs, com um tubo enfiado na garganta, sedados, sem visitas, sem calor humano, sem amigos, sem família, sem ao menos saber o que está acontecendo. 

Passados nove meses desde que tudo isso começou, os médicos continuam fazendo apelos para a população. Apelos simples, mas ignorados. Solicitações que são feitas desde o início: “Usem máscara! Higienizem as mãos! Não aglomerem! Não façam festinhas! Se for trabalhar, siga as regras de prevenção! Não coloque a sua vida e dos outros em risco! O coronavírus mata!”. Tudo em vão. Os casos confirmados e as mortes não param de subir. Vídeos, apelos e mostrar a realidade parece ainda não ser o suficiente para que o brasileiro tenha consciência de que a covid-19 mata. E ela não escolhe se é rico, pobre, homem, mulher, velho, adulto, criança, com comorbidades ou não. Ela mata! Você acreditando ou não. 

Se hoje o país vive este cenário é justamente por isso. A maioria dos brasileiros subestimou o coronavírus. O que é mais triste de ver agora é que tudo seria bem mais simples se a população tivesse apenas seguido as orientações de quem está na linha de frente. E quem está na linha de frente não pediu que o povo fosse para a guerra, pediram somente que se cuidassem. Solicitaram apenas para que a população ficasse em casa e cuidasse dos seus, usassem máscara e higienizassem as mãos. Mas, aqui no Brasil, uma vida vale uma sentada em um boteco, uma farra, uma festinha para “desestressar”. É triste, é doloroso ver que ao fim disso tudo ninguém saiu mais forte, ninguém saiu mais unido e que a luta está só começando. 

Agora vem a parte cansativa, exaustiva de incentivar o povo a se vacinar e a cumprir as regras pós-vacinação. Engana-se quem acha que isso está perto de acabar. Hoje a população vive as consequências de seus atos irracionais. Para amanhã, ainda não se sabe o que esperar, pois o caos foi instalado completamente e não deixa uma fresta para que a tal luz do fim do túnel entre. Só de pensar que tudo seria bem mais simples se o povo só conseguisse seguir regras, o coração quebra e a desesperança toma conta. O jeito é continuar aqui, pedindo, implorando: sigam as regras de prevenção, escutem os profissionais de saúde. O coronavírus mata! 

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