Separação:

"Às vezes, a separação é a única confirmação possível daquilo que é mais valioso numa união" (Caetano Veloso)

 

Quando falamos de separação e olhamos no dicionário, vem ato ou efeito de separar, partição, divisão, desunião. Afastamento, quebra de uma união íntima, ruptura do casamento: a separação dos pais trouxe-lhe problemas.

 

Direito - Separação de bens: regime matrimonial no qual cada um dos cônjuges mantém a propriedade e a gestão de seus bens.

Direito - Separação de corpos: medida preliminar de anulação de casamento, divórcio ou desquite, concedida judicialmente e que desobriga os cônjuges do dever de coabitação no mesmo domicílio conjugal.

Direito - Separação de dote: retirada dos direitos do marido sobre os bens totais. São muitos os termos pelas quais a separação é usada, mas o que ela pode ocasionar nas nossas vidas do ponto de vista psicológico?

 

Quando as dificuldades na convivência conjugal se tornam insustentáveis é usual que a separação apareça como o caminho para um alívio imediato. Em seguida, o casal se dá conta de que ganha novos tipos de problema.

Lidar com certas perdas, com os aspectos bons que não se quer deixar e com uma certa ambivalência de sentimentos, não é simples. Além do que, mesmo para se separar, é preciso resolver os conflitos que atrapalham a vida conjugal, sobretudo se o casal tiver filhos. Afinal, não só se terá que decidir sobre a divisão dos pertences, mas também sobre a educação dos filhos e outras questões relacionadas ao futuro de todos.

Poucos casais em fase de separação conseguem tratar do processo com franqueza e colaboração. Não é raro os filhos presenciarem as brigas e serem utilizados como alienação parental por uma das partes.

Assim, conflitos precisam ser aconchegados, revividos e resolvidos e é nas experiências do passado que o casal obterá as chaves de saída do labirinto, seja pela superação dos problemas do casamento, seja pelo amadurecimento da decisão de separação.

Separação não é apenas separar casas: implica em elaborar as experiências emocionais que rondam a vida afetiva do casal. Existem muitos casais que concluem a "separação de corpos", mas que se relacionam como se ainda estivessem completamente aprisionados um ao outro.

É estranho que o outro, num determinado momento, apareça como obstáculo a ser removido para que transcorra o desenvolvimento pessoal de cada um. Por que é necessário se separarem? Por que não cabem na relação e não podem caminhar lado a lado em colaboração?

Isso sugere que ambos estejam ainda absortos nas questões pessoais e na busca de um "eu", o que torna difícil lidar com o outro diferente, ou ainda cuidar de outro necessitado, no caso de haver filhos.

A separação pode contribuir para um crescimento mútuo quando ambos os parceiros buscam uma identidade pessoal, que sentem ainda não terem sedimentado, e que depende da tomada de um caminho mais próprio, que exclui o outro e seus projetos. Nesta linha, a separação aparece como uma vivência criativa.

O divórcio, quando é o caso, deve ser preparado de forma madura, assumindo cada um dos cônjuges sua parte de responsabilidade nos sucessos e fracassos da relação, lidando com as perdas e seus lutos correspondentes, além de cultivar e preservar uma boa cooperação no que se refere à educação dos filhos.

Se não há um projeto comum ao casal, se não é mais possível, então, manter-se a relação, o caminho para as mudanças precisa ser planejado, dirigido e acomodado. Não se trata mais de se manter o mito do "casal perfeito/ nota 10" como antigamente.

É importante lembrar que a separação é uma alternativa positiva quando a relação não tem mais nada de sadio, mas não deve ser uma postura de vida, que nos leva a pensar em ir embora a todo o momento que surge uma dificuldade. Se após uma consulta séria ao seu coração a resposta for negativa, ou seja, continuar junto, peça perdão pelos seus erros, reconheça sua parte, repense tudo e recomece. Mas se a resposta for pela separação, pois não há mais amor, siga em frente, acreditando acima de tudo em você mesmo.

Talyta Silva é psicóloga

talytalaysilva@ig.com.br

 

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