Semusa ressalta preocupação com coronavírus, mas alerta para dengue

Matheus Augusto

Divinópolis se tornou no domingo, 8, a primeira cidade de Minas Gerais a confirmar um caso de coronavírus – o 25º no país, conforme o último boletim do Ministério da Saúde. Após a confirmação e preocupação, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) realizou na manhã de ontem uma coletiva para esclarecer a confirmação e o andamento de outros casos suspeitos na cidade. Apesar do diagnóstico positivo, o secretário Amarildo Sousa informou que não há, no momento, motivos para pânico e reforçou o alerta para outra doença, considera mais letal: a dengue.

Além do secretário, participaram do encontro a diretora da Vigilância em Saúde, Janice Soares, e a bioquímica da Vigilância Epidemiológica, Mirna Abreu.

Confirmado

Sobre o primeiro caso confirmado no estado, Janice contou que a paciente, o marido e os dois filhos estão em quarentena domiciliar, onde ficarão por 14 dias – prazo necessário para o fim da transmissibilidade.

— Ela está estável. (...) Eles estão seguindo todos os protocolos que foram passados em relação ao isolamento domiciliar, os filhos também estão em casa e vão passar pelo período de 14 dias em casa, e ela está bem, apresentando sinais leves — comentou.

A paciente, de 47 anos, pousou no dia 2 de março em Belo Horizonte após uma viagem à Itália. Três dias depois, com sintomas de gripe, procurou atendimento em uma rede particular de saúde, onde a suspeita foi identificada e, posteriormente, confirmada. Após os procedimentos, ela retornou a Divinópolis, onde mora, e permanece junto aos familiares sem sair de casa.

Novas suspeitas

Ainda de acordo com o secretário de Saúde, após a confirmação do primeiro caso na cidade, outros potenciais pacientes se apresentaram.

— Uma pessoa que também estava no voo e apresentou os sintomas gripais. Nós já a colocamos em isolamento domiciliar e vamos colher os exames para descartar ou confirmar — contou Amarildo.

Conforme declarou a diretora em Vigilância em Saúde, atualmente, são seis casos registrados, incluindo o confirmado.

— Nós temos um caso confirmado, dessa pessoa que chegou da Itália. Outro que vamos realizar a coleta logo após essa entrevista, que é uma paciente que está em casa e já foi orientada a ficar em domicílio, e estava no mesmo voo dessa pessoa que deu positivo. Sábado nós realizamos outra coleta de outra pessoa, de outro voo, que também está apresentando sintomas — relatou.

Os outros três casos foram divulgados pela secretaria no dia 2 deste mês. Os pacientes cumpriram os 14 dias de quarentena, porém os resultados dos exames ainda não estão prontos.

— Como a gente falou na semana passada, temos mais três casos de síndrome gripal, de pessoas que também vieram da Itália, apresentaram sintomas, porém já têm um tempo maior, estão foram do período de incubação, saíram do isolamento domiciliar, (...) mas ainda estamos aguardando os resultados para finalizar o caso — explicou Janice.

Segundo a bioquímica Mirna Abreu, tais pacientes não apresentam mais risco.

— Os exames de influenza dela já vieram e deram negativos, mas ainda estão sendo testados para o coronavírus. O período de transmissibilidade já passou — pontuou.

Ela ainda contou que a paciente, de 35 anos, que também estava no voo da mulher diagnosticada com a doença está em quarentena domiciliar com o marido. As amostras foram coletadas no último sábado, 7, após ela apresentar os sintomas do coronavírus no dia 5.

Amarildo ainda informou que apenas as pessoas com um possível contato com a doença e que apresentarem os sintomas serão examinadas.

— O fato de ela [pessoa qualquer] ter ido a um país que está com a incidência do coronavírus não significa que todas as pessoas vão ser testadas. Serão somente abordadas as pessoas sintomáticas. É a determinação do Ministério da Saúde — frisou.

Ações preventivas

O secretário de Saúde declarou que, mesmo com a confirmação do caso, a situação está controlada.

— A gente recebe essa notícia [do primeiro caso confirmado] com tranquilidade, porque em janeiro nós já havíamos feito o plano de contingência do coronavírus junto com a Superintendência Regional de Saúde [SRS]. (...) E a gente saiu bem na frente e foi a primeira cidade do estado que se preocupou em fazer mesmo antes de qualquer paciente suspeito ser notificado. (....) A nossa rede básica está treinada para identificação desses casos e nós também temos o laboratório, foram fornecidos pelo Ministério da Saúde os kits para identificação do coronavírus. Então a gente está preparado — complementou.

Além disso, o secretário ressaltou que, desde o início do surto no mundo, o setor de comunicação da secretaria tem divulgado orientações preventivas ao coronavírus nas redes sociais.

Orientações

Sobre como evitar o contágio por coronavírus, Amarildo ressaltou que os cuidados devem ser tomados principalmente em locais públicos ou com grade aglomeração de pessoas.

— Os cuidados são os mesmos das síndromes virais. Caso a pessoa apresente esses sintomas, a recomendação é repouso, hidratação, usar o álcool em gel 70% para higienização das mãos e procurar uma unidade de saúde caso o quadro de saúde se agrave — informou o secretário.

Sem pânico

Apesar da preocupação e do momento de alerta, o secretário afirmou que ainda não há motivos para pânico, e lembrou outra doença mais perigosa.

— Eu gostaria de lembrar que o Brasil está também em uma epidemia de dengue e que mata muito mais, é mais letal do que o coronavírus. Então, gostaria de chamar a atenção a todos (...), procure também fazer suas medidas protetivas dentro de casa, tanto para o coronavírus – uso do álcool 70%, lavagem das mãos, evitar aglomerações –, quanto para dengue, que hoje é uma grande epidemia que o município e o Brasil enfrentam — reforçou.

Apenas neste ano, Divinópolis já confirmou 36 casos dengue – nove deles são moradores do Jardim Candelária, bairro com maior incidência. As informações são do boletim epidemiológico do último dia 5. Duas mortes, uma criança de 8 anos e uma mulher de 34, são investigadas.

A diretora da Vigilância em Saúde também afirmou não haver razões para o desespero.

— O que nós temos que orientar as pessoas que o coronavírus é uma doença causada por esse vírus que tem uma letalidade muita baixa se formos comparar com outras síndromes gripais, em relação ao H1N1, à influenza, então não é motivo para alarme das pessoas. Nós temos que pedir as pessoas para observarem os sintomas, quem apresentar, e não vamos nem falar de viagem mais, porque o vírus circula hoje no nosso país, então as pessoas que apresentarem sintomas da síndrome gripal devem procurar o serviço de saúde e ficar atentas aos agravamentos, principalmente dificuldade respiratória — orientou.

Janice ainda aproveitou a oportunidade para repudiar os comentários de algumas pessoas em publicações sobre o caso, como as falas de que a paciente com o caso confirmado de coronavírus deveria ter ficado na Itália.

— O vírus já está circulando no nosso país. Não é por causa dela. É inevitável que se alastre. Ele se transmite da mesma forma que a influenza, que o H1N1, ele vai ser transmitido agora no período de outono/inverno. Na Europa, no Hemisfério Norte, era outono/inverno e ele foi muito disseminado. As pessoas não tinham imunidade contra ele. E vai acontecer isso aqui. As pessoas não podem recriminar ou tratar de forma diferente, viajar hoje todo mundo precisa, que seja a passeio, que seja a trabalho, não temos que discriminar as pessoas em função disso — defendeu.

Informação

A diretora também lembrou a importância de, em momentos como esse, as pessoas checarem a veracidade das informações.

— Fake news sempre nos atrapalham e, no caso do coronavírus, o site do Ministério da Saúde tem um local [https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus] em que ele esclarece todas essas fake news que estão aparecendo. Então é bom as pessoas acessarem para tirar as dúvidas — divulgou Janice.  

Por fim, Mirna recomenda que, sem acesso às informações nos portais, a pessoa entre em contato com a secretaria.

— Se alguém não tiver acesso ao site, a fonte confiável é a secretaria de Saúde — finaliza.

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