Sempre a educação

O ano letivo da rede estadual ainda nem começou e já está ameaçado. Uma greve pode ter início na próxima semana e afetar milhares de alunos da rede estadual em Divinópolis e Minas Gerais. Em assembleia realizada na última quarta-feira, 5, professores e funcionários das escolas estaduais decidiram pela paralisação por tempo indeterminado. A categoria reivindica o pagamento do piso salarial profissional nacional, a quitação do 13º salário do ano passado e o fim das políticas que, conforme os profissionais, têm dificultado o acesso à educação pública em Minas e gerado desemprego. Quem acompanha de perto sabe muito bem que os servidores da educação já haviam, na semana passada, encostado na parede o governador Romeu Zema (Novo). 

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUte) adiantou  no fim do mês passado que anteciparia a assembleia de 23 de fevereiro para o dia 5. Um dos motivos foi o cancelamento de uma reunião que a diretoria do Sindicato tinha com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) em 23 de janeiro. Além das reivindicações da classe, o SindUte reclamava da falta de diálogo com o governo. Em nota, o sindicato afirmou que o Governo do Estado apenas pedia paciência à categoria para o pagamento do 13º e não apresentava nenhuma proposta de cumprimento da Lei do Piso. O erro crucial de Zema e seu secretariado foi, além de subestimar a capacidade dos servidores, achar que eles teriam compreensão pelo resto da vida.

Pois bem, parece que a compreensão e, principalmente, a paciência acabaram. No ano passado, os funcionários estaduais até entenderam (mesmo que contrariados) o parcelamento do 13º salário. O benefício foi pago em 11 vezes, e os servidores se esforçaram para compreender a situação em que Minas Gerais se encontrava. E, também, não havia muita alternativa, afinal, ninguém vira dinheiro da noite para o dia. Mas o primeiro ano passou, e Minas Gerais apenas andou para os lados. Romeu Zema não conseguiu fazer o estado crescer e, muito menos, ganhar a confiança dos servidores. Os salários continuam escalonados, o 13º ainda não foi pago a boa parte deles, sem falar na prioridade que o governador dá para a Segurança Pública, esquecendo-se do princípio da isonomia. A verdade é que, em seu primeiro ano de mandato, Romeu Zema não conseguiu colocar em prática aquilo que planejou.

A primeira greve que Zema terá que enfrentar demorou, mas parece que chegou. A impressão que se tem é que os avisos dos servidores foram subestimados. E, ainda, que a corda – em Minas e em outros estados – arrebenta só para o lado dos educadores, quando, na verdade, eles são os servidores que deveriam estar no topo das preferências, por mérito e merecimento. Afinal, são os responsáveis por todas as outras profissões. Ou haveria algum profissional que não seja formado por um professor? São eles que estão na ponta, fazendo o país andar em todos os sentidos. Merecem respeito e não devem pagar uma conta que não é deles. Muito menos os alunos, os mais prejudicados nesta história.  Até quando? Não é à toa que muitos profissionais, desanimados e desgastados, estão abandonando as salas de aula, mesmo contra as suas vontades. Mas chega uma hora que não dá mais, paciência realmente tem limite!

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