Seminovo

O ano nem começou, o novo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) nem assumiu, e as aquela velha política, bem conhecida dos brasileiros continua reinando. Usando um discurso bem anti-político, anti-corrupção, o megaempresário conquistou os mineiros e conseguiu uma vitória avassaladora nas urnas, nunca vista antes pelos mineiros. Zema tirou do páreo no primeiro turno, o petista Fernando Pimentel (PT), e no segundo, o tucano Antônio Anastasia (PSDB). Vitória histórica. Afinal, quem chegava perto do candidato do partido Novo não dava nada por ele. Nunca imaginaria que seria eleito tão cedo. Mas, em uma reviravolta do destino, junto com o cansaço do povo com a velha política, e a promessa de novos tempos, Romeu Zema conseguiu o que almejava.

O novo governador foi eleito com mais de 70% dos votos válidos e tomou posse no dia 1° de janeiro. Uma das promessas feitas pelo atual governador era regularizar os repasses das prefeituras, retidos por Fernando Pimentel (PT) no último ano, e que causaram um caos financeiro em diversas cidades mineiras. Outra promessa foi a de voltar a pagar os salários dos servidores estaduais no quinto dia útil, como foi feito até janeiro de 2016; em fevereiro, o ex-governador começou o escalonamento. O ponto alto de sua campanha foi quando registrou em cartório uma de suas promessas: a de não receber salário (nem ele, seu vice, Paulo Brant, e seu secretariado) até que os salários dos servidores fossem regularizados. Ah, o marketing político.

Porém, uma semana depois de empossado, a verdade é que o Novo não tem nada de novo. Já na primeira semana de mandato (a atual) Zema descumpre sua promessa de repassar em dia os recursos constitucionais dos municípios. O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda disse ontem que o atual governador já deixou de repassar R$ 170 milhões às prefeituras. Segundo ele, o dinheiro é referente ao ICMS. Em um encontro com vários prefeitos, no dia 9 de novembro, Zema chegou a dizer que “começar o mandato descumprindo os repasses constitucionais seria um péssimo exemplo de gestão”. Pois é, parece que o Novo na verdade, ainda precisa de uma pequena reforma.

A lista de descumprimentos não termina por aí. Até ontem, 7, não havia divulgdo a escala de pagamento dos salários dos servidores, e muito menos havia dado uma previsão de quando pagaria o 13° salário. É aquela velha justificativa (usada até mesmo por Pimentel) “eu peguei um Estado quebrado, e estou revendo as contas”. Sim! É verdade, mas as contas de casa não são pagas com justificativas, não é mesmo? Outro detalhe que chamou a atenção, é que por mais que a promessa de não receber salário esteja registrada em cartório, ela não pode ser cumprida, por ser inconstitucional. Por ser governador, Zema é obrigado a receber o seu salário, assim como seu vice e seu secretariado. Fica a pergunta: Será que essa determinação não foi constatada pela equipe de campanha? É não saber o mínimo para quem quer assumir o Estado. E a oposição, por que naõ falou nada? São perguntas que acabam ficando sem respostas.

A “coisa” mal começou e não é tão linda e mágica. Agora, a realidade bateu à porta, e o megaempresário vai ter que mostrar competência, e que seu partido e sua conduta realmente não novos.  Sob o risco de o Novo ser mais velho do que nunca.  

 

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