Sem repasses e vagas, UPA continua no CTI

 

Gisele Souto

Construída para ser uma porta de entrada de pacientes 24 horas por dia, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto nunca atendeu com o propósito para o qual ela foi inaugurada. Superlotação e reclamações ditam o ritmo da unidade no dia a dia.

Quem precisa de cirurgias como as ortopédicas enfrenta uma longa fila. A maioria aguarda em casa ser chamado pela Central de Regulação, já que a unidade não suporta a quantidade de pacientes.

As cirurgias costumam ser realizadas em cidades como Oliveira, Santo Antônio do Monte e Belo Horizonte. Isso porque o único hospital que atende pelo Sistema único de Saúde (SUS) em Divinópolis é o São João de Deus (HSJD) e ele não suporta a demanda.

Com tantas limitações, muitos doentes e poucas vagas, sobram reclamações e denúncias. A Câmara é o principal depósito de fúria de pacientes. Não é à toa que foi instaurada uma CPI na Casa para passar um pente fino na unidade. (Veja novidades na página 3)

Lotação

Atualmente, 37 pessoas estão internadas na unidade e 109 esperam em casa para realização de cirurgias ou tratamento de alguma especialidade. Total de 146. Mas o número já foi bem maior. No ano passado, o Agora mostrou que 180 pacientes estavam nesta mesma situação atual. Para essas pessoas, só tem uma coisa a fazer: pedir socorro. É o que se ouve também de parentes dos pacientes que não sabem o que fazer, para onde ir e a quem mais pedir ajuda.  Muitas vezes, o desespero e o descaso são tão grandes que não resta outro caminho que não seja a Justiça. Por esse meio, a Prefeitura e o Estado já foram obrigados gastar o que tinham e o que não tinham, pagando procedimentos e encaminhando doentes para outras localidades, até mesmo fora de Minas Gerais. Aí entra outra dificuldade, muita gente se recusa a ir para fora porque, mesmo tendo condução, não tem condições de ficar fora do domicílio por falta de dinheiro e obrigações que possuem na cidade. O resultado é a fila que não diminui, esperando que surja uma oportunidade, especialmente no HSJD.

Única solução

Para o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Renato Ferreira (PSDB), só existe uma solução que acabaria com o sofrimento dos pacientes que dependem do SUS: o término das obras do Hospital Público Regional (HPR). Ele fala em união de forças e mais representatividade da região em prol deste objetivo.

— Estou tentando marcar agenda com o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, Carlos Pimenta, em busca de socorro — disse.

Mesmo tendo ciência de que o Governo de Minas já afirmou não ter recursos para terminar a obra, ele não perde a esperança. Diz que vai atuar em busca desta meta.

Gestora

Pelo menos até junho, quando vence o contrato, a Santa Casa de Formiga continua à frente da UPA.  Mesmo com diversos problemas alegados, como questão da dívida gerada pela execução do contrato referente à unidade de saúde.

O valor seria em torno de R$ 7 milhões, referentes a obrigações sociais, como trabalhistas. Chegou-se a especular que a Santa Casa devia este valor à UPA. Mas, na verdade, a dívida teria sido contraída pelo hospital para executar o contrato referente à UPA.

Impasse

Desde que assumiu a unidade, no fim do ano passado, o superintendente José Geraldo Pereira, o Geraldinho da Saúde, afirma buscar soluções para acabar com os problemas, especialmente os atrasos nos salários, mas esbarra nos constantes atrasos nos repasses de recursos. Informação confirmada pela Prefeitura.

 

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