Sem concorrentes

Preto no Branco 

Enquanto cidades como Divinópolis (com nove candidatos), Belo Horizonte (15) e Contagem (maior número de Minas, 16) registraram muitas candidaturas à Prefeitura, em outras, os postulantes concorrerão com eles mesmos. Nestes municípios, 17, distribuídos em várias regiões de Minas, foi registrada apenas uma chapa. Um deles é a vizinha Carmo do Cajuru, onde apenas o atual prefeito, Edson Vilela (PSB), se candidatou. Fácil? Sim e não. Sim porque, se tudo estiver ok na Justiça Eleitoral, basta um voto válido – nem que seja o dele mesmo –  para o postulante ser proclamado vencedor. Porém, se houver alguma pendência, o pedido pode ser impugnado e, de última hora, a população poderá se deparar com o seguinte pedido: procura-se um candidato à Prefeitura. 

Outra eleição?

Pode acontecer. Mas isso só se todos os votos forem em branco ou nulos. Não é possível que o candidato vai errar o voto nele mesmo. Se bem que na hora de digitar, com a emoção do momento, tudo é possível. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que foram registradas 2.738 candidaturas ao Executivo no estado. Uma média de 3,2 postulantes por vaga e um aumento de 10% em relação às eleições de 2016. Números que devem permanecer até as urnas em novembro, caso não haja nenhum problema com as chapas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Por aqui, nove brigam pela cadeira, ocupada atualmente por Galileu Machado (MDB), que também é candidato. A briga é boa e promete polêmica, queda de braço e muita emoção até o fim. 

MDB lidera 

E dos considerados grandes partidos do país, o que mais lançou candidatos às prefeituras em Minas Gerais neste ano foi o MDB, com 233, seguido pelo PSD, 208; PSDB, 190; PT, 190; e DEM, 180. Destes, apenas o DEM, MDB e PSD lançaram chapa em Divinópolis. PT e PSDB, outros dois grandes, ficaram fora do páreo. Os motivos são óbvios: o primeiro vive um descrédito total, já o segundo teve uma grande decepção nas urnas nas últimas eleições municipais. Além disso, tem um grande nome na cidade que é o deputado Domingo Sávio. Se arriscar em um momento em que ele faz a diferença, especialmente em recursos que chegam à cidade, não seria prudente. 

Ainda maioria 

Como era esperado, os números de registros mostram ainda que os homens são a maioria dos candidatos, com 66,9% das candidaturas inscritas. As mulheres somam 33,1%. Em Minas Gerais, então, a diferença é assustadora. O sexo masculino representa a enorme maioria entre os postulantes na briga pelas prefeituras. São 2.453 concorrentes contra apenas 285 do sexo feminino. Ainda bem que, pelo menos neste quesito, Divinópolis está na contramão do Brasil e do estado. Cinco mulheres estão representadas nas chapas à Prefeitura e pelo menos 100 lutam para entrar na Câmara. Aplausos pela coragem e o desafio, visto que não é nada fácil. 

Difícil de entender 

Se todos têm conhecimento de que, em uma sociedade que se diz democrática, é preciso incluir a participação da mulher em tudo, na política não é diferente, por que tanta resistência?  Só tem uma explicação: o machismo, enraizado na cultura brasileira, insiste em prevalecer ainda em pleno século XXI. E olha que o caminho não foi fácil até aqui. Para se ter uma ideia, o voto feminino no Brasil foi assegurado após intensa campanha nacional pelo direito de participação delas no processo eleitoral e na condução da sociedade, iniciada antes da Proclamação da República. Uma única mulher candidata foi em 1933, a médica Carlota de Queiroz, por São Paulo. Ela se tornou primeira deputada federal no país no século XX. Quase 100 anos se passaram e a luta parece a mesma. Lamentável. 

Só por fora 

Ninguém entende o que faz Romeu Zema (Novo) não pisar os pés em Divinópolis de jeito nenhum. O governador não voltou mais à cidade após vencer as eleições, mesmo tendo ciência de que teve aqui a ampla maioria dos votos. Vira e mexe ela passa nos arredores, mas não entra. Pelo menos é o que se sabe, ninguém garante que não tenha vindo às escondidas. Dizem por aí que tem um excelente motivo para isso. Me arrisco a dizer que, para participar de um evento, realmente, ele não tem o que fazer na principal cidade do Oeste de Minas. Vou mais além: acho que está esperando algo com grande repercussão, como reinício das obras do hospital regional. Se bem que ontem ele esteve em Formiga e Campo Belo para entregar respiradores de forma simbólica. No entanto, há pouco tempo, Divinópolis recebeu também os equipamentos e uma quantidade muito maior em comparação às duas cidades e, também, como ontem, em parceria com Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Vai entender!

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