Sem candidatos do Novo

Maria Tereza Oliveira

Nas eleições de 2018, Divinópolis teve um papel importante na vitória do partido Novo no Governo de Minas. No primeiro turno, quando ainda era considerado um “azarão” na disputa, o então candidato Romeu Zema (Novo) chegou a visitar a “Cidade do Divino” três vezes, mas, após ir para o segundo turno e ser eleito, apesar de promessas, o empresário jamais voltou às terras divinopolitanas. O mesmo pode ser constatado nos candidatos para este pleito. O partido escolheu algumas cidades para ter representantes na corrida eleitoral, no entanto, Divinópolis está fora.

Conforme nota divulgada pelo partido, a partir de abril será iniciado o processo seletivo para o pleito deste ano. A expectativa é de que o partido lance candidatos em aproximadamente 60 municípios.

Habitantes

De acordo com o Novo, por se recusar a utilizar o fundo partidário, a legenda privilegia participar de eleições nas cidades com mais de 300 mil habitantes. Conforme o coordenador da região de Divinópolis do Novo, Tarcísio Melo, a legenda terá candidatos em cinco municípios mineiros: Belo Horizonte, Contagem, Juiz de Fora, Poços de Caldas e Araxá.

No entanto, destas cidades, apenas as três primeiras têm a população necessária estipulada pelo partido, com 2.375.151, 603.442e 516.247, respectivamente, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por outro lado, Poços de Caldas e Araxá, além de não baterem a meta populacional, têm dezenas de milhares de habitantes a menos que Divinópolis.

Enquanto a “Princesinha do Oeste” ostenta uma população de aproximadamente 240 mil habitantes, Poços de Caldas tem 152.435 moradores, mais de 60 mil a menos. No caso de Araxá, a diferença é ainda maior. Com 93.672 habitantes, a terra natal do atual governador tem menos da metade da população divininopolitana.

Diretório e filiados

Por outro lado, apesar de perder em habitantes, essas cidades têm uma vantagem que Divinópolis não possui: diretórios municipais.

— O Novo não planeja qualquer atividade política para as 62 cidades da Mesorregião Divinópolis neste ano — destacou.

O partido ainda explicou que, para ser viabilizada abertura de processo seletivo nessas cidades, são necessários no mínimo de 150 filiados ativos. Conforme apurou a reportagem, Divinópolis tem menos de um 1/3 da quantidade de filiados necessários.

Sorteio

De acordo com Tarcísio Melo, alguns municípios que não preenchem todos os requisitos foram sorteados. No caso de Minas, tanto Poços de Caldas quanto Araxá foram selecionadas desta forma.

Apesar de perderem para Divinópolis no parâmetro população, ambos os municípios ganham nos quesitos diretório e filiados.

— Para as eleições de 2022, Divinópolis depende do diretório estadual, então não é necessário que o município se adeque aos requisitos para que tenha candidatos. Em relação ao pleito de 2024, depende da cidade, mas ainda é cedo para falar porque a gente ainda nem tem as regras para aquelas eleições definidas. Porém, é claro que a gente continua se movimentando. Mas como este ano o foco é municipal, nossa agenda de eventos, de movimento está bem menor que no ano passado — explicou o coordenador.

Fundo eleitoral

A Lei 9.096/95 destina parte do Orçamento da União ao conjunto dos partidos políticos que estão em dia com a Justiça Eleitoral. Trata-se do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, também denominado fundo partidário.

Além da verba orçamentária, o fundo é composto de doações e recursos da arrecadação de multas eleitorais. A distribuição é feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proporcionalmente à representação parlamentar de cada agremiação. Pela lei, 1% do total do fundo é dividido em partes iguais entre todas as legendas com estatutos registrados no TSE. Os outros 99% são distribuídos entre os partidos de acordo com o número de votos recebidos nas eleições para a Câmara dos Deputados.

Os partidos políticos têm imunidade tributária, ou seja, não pagam impostos.

Recusa

O partido Novo tentou devolver o valor que lhe compete do fundo partidário para a União.Conforme o presidente da legenda, João Amoêdo, a sigla não utiliza dinheiro público, seus recursos financeiros e humanos.

—Terão de ser direcionados para locais onde possa impactar a maior quantidade de pessoas — destaca.

Votação

Logo no 1º turno, Romeu Zema ganhou de lavada dos outros candidatos ao Governo de Minas em Divinópolis. De acordo com dados do TSE, Zema teve 73.524 votos válidos na cidade, contra 15.147 de AntonioAnastasia (PSDB), e 14.635 de Fernando Pimentel (PT).

No 2º turno, o empresário teve uma votação ainda mais expressiva, alcançando 82,67% na cidade, o equivalente a93.261 votos, enquanto seu adversário, Anastasia, obteve19.550 votos.

Sem visita

Em novembro chegou a ser anunciada a primeira visita de Zemaa Divinópolisdesde que assumiu o Governo do Estado. No ano passado, o chefe do Executivo Estadual fez um tour por Minas Gerais indo a Araxá (Alto Paranaíba), Uberaba (Triângulo Mineiro), Montes Claros (Norte de Minas), entre outros.

A visita estava agendada inicialmente para o dia 12 de novembro, entretanto, após vários adiamentos, o mês se esgotou, assim como o ano e as perspectivas de vinda à Cidade do Divino.

Na pauta da visita, havia alguns temas considerados gargalos no município, como o término da construção do Hospital Regional e o tratamento do esgoto do rio Itapecerica. A expectativa era de que Zema se reunisse com as principais lideranças do Executivo e do Legislativo na cidade.

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