Seis são presos por feminicídio

 

Ana Laura Corrêa

Cinco pessoas, sendo quatro mulheres e um homem, foram presas pela Polícia Civil (PC) na manhã de ontem, 18, por envolvimento em dois feminicídios ocorridos em Itaúna no dia 29 de agosto e tendo desfecho na zona rural de Carmo do Cajuru.

As investigações e os presos foram apresentados à imprensa durante coletiva na tarde de ontem na Delegacia Regional de Polícia Civil em Divinópolis.

Ainda no ínício na noite de ontem, o único que estava foragido, Leonardo Henrique Alves de Avelar, de 23 anos, suspeito de participar do crime, se entregou à polícia.

Caso

No dia 29 de agosto, os corpos de duas jovens, Brenda Lorraine Santiago da Silva, de 19 anos, e Rafaella Caroline Ferreira dos Santos, de 17 anos, foram encontrados parcialmente carbonizados e com sinais de lesões por arma branca em Marimbondos, zona rural do Carmo do Cajuru e região limite entre o município e Itaúna.

A necropsia constatou que Brenda foi atingida por 23 golpes de instrumento cortante e Rafaela por 19. Posteriormente, as duas jovens foram queimadas.

— Através dos trabalhos do médico legista, verificou-se que o crime não havia acontecido ali, ou seja, elas foram mortas e transportadas até o local. A causa da morte em si não foi o fogo, e, sim, a utilização de instrumento perfurocortante. Elas foram literalmente apunhaladas — explicou o delegado titular da Delegacia de Carmo do Cajuru, Weslley Amaral de Castro.

Investigações

De acordo com a Polícia Civil (PC), as investigações tiveram início logo após o crime. Segundo o delegado, foi apurado que o crime teria ocorrido em uma residência no bairro Morada Nova II, em Itaúna.

O ato criminoso, segundo a PC, teria ocorrido por diversos desentendimentos entre as vítimas e os suspeitos.

Ainda de acordo com ele, Brenda já era ameaçada pelo ex-namorado, inconformado com o término do relacionamento e com o fato de ela se prostituir. As duas vítimas ainda se envolveram em uma briga na qual lesionaram a cunhada de três investigadas e estas prometeram que a agressão seria vingada. Rafaela também foi acusada de se envolver com um dos suspeitos, que namorava outra investigada. As vítimas negaram o relacionamento e apontaram como responsável pela traição outra suspeita de participar do crime.

Os investigados, indignados com tais fatos, chamaram as vítimas até a casa de uma das presas, no bairro Morada Nova II, sob o pretexto de fazerem uso de bebidas e drogas.

No local, no entanto, elas foram amarradas, amordaçadas, torturadas por mais de uma hora com requintes de crueldade — inclusive com a introdução de objetos nas genitálias das vítimas — e, em seguida, mortas com as apunhaladas.

Um suspeito transportou os corpos até o local em que foram encontrados, em Carmo do Cajuru, e queimados. As queimaduras se localizaram principalmente nas genitálias e nos rostos das vítimas.

— O que denota um ódio imenso e uma crueldade sem fim — afirmou o delegado Weslley.

Prisão

O delegado informou que as investigações ainda não terminaram. Os seis investigados serão levados para o presídio Floramar, onde ficarão presos temporariamente por 30 dias.

Segundo a Polícia Civil, eles responderão pelo crime de homicídio qualificado por feminicídio, motivo torpe, impossibilidade de defesa, tortura e ocultação de cadáver, podendo ter penas superiores a 30 anos cada.

 

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