Seis novas suspeitas e 345 confirmações

Matheus Augusto

Menos notificações e mais confirmações. O cenário da dengue, após meses de apreensão, se estabilizou. Os dados atualizados da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) apontam que, em uma semana, apenas seis suspeitas foram registradas. No entanto, apesar do baixo número de notificações, os casos em análise continuam apresentando resultados. Em sete dias, a secretaria confirmou mais 345 ocorrências da doença, totalizando 3.820 em todo o ano. A quantidade de notificações chegou a 4.522.

Outros 296 registros ainda permanecem em análise.

Nova pesquisa

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) e a Diretoria de Vigilância em Saúde realizaram, entre os dias 5 e 9 de agosto, o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa). Ao todo, os agentes de saúde visitaram 4.948 imóveis na cidade para recolher amostras. A análise apontou um índice de infestação médio, de 1,2%. O número é considerado risco médio pelo Ministério da Saúde. O resultado apresenta uma melhoria significativa em relação ao primeiro levantamento, feito em janeiro. Na época, a média chegou a 5,9%.

Segundo o parâmetro técnico do Ministério, a classificação ideal do índice é abaixo de 1%. O risco médio, por sua vez, está entre 1% e 3,9%. Já municípios com infestação média acima de 4% são considerados em risco para epidemia de dengue.

A Prefeitura informou que os lotes vagos não apresentam risco neste momento.

— Cinquenta e oito imóveis com focos de dengue foram encontrados. Destes, todos correspondem a residências, e lotes vagos não representaram nenhum risco — relatou.

Regiões

O levantamento também é um indicador do cenário de cada região da cidade. O índice de infestação médio mais preocupante foi encontrado na Norte (2%), seguido por Central (1,9%), Sudeste (1,7%) e Nordeste (1,2%), todas com risco médio. Já as áreas Oeste (0,7%) e Sudoeste (0%) apresentaram baixo risco.

O secretário de Saúde, Amarildo Sousa, ressaltou que o levantamento é fundamental para desenvolver ações de combate de acordo com a necessidade de cada localidade.

— O trabalho é importante para direcionar os trabalhos da Secretaria de Saúde. Podemos saber quais regiões e bairros com maior incidência para realizar ações efetivas e combater a dengue — explicou.

Onde?

Os objetos com mais criadores ainda são os depósitos fixos, como rolos, caixas de passagem, sanitários em desuso e fonte ornamentais, com 47%. Em seguida, com 23%, estão os depósitos móveis, incluindo pratos e vasos de plantas, pingadeiras, bebedouros de animais e plantas aquáticas. A lista continua com armazenamento de água para consumo humano, com 22%, ou seja, caixas de água, tanques, poços, tambores e manilhas.

Objetos passíveis de remoção, baldes, garrafas, latas, recipientes de plástico e pneus, por exemplo, registraram 6% dos focos encontrados. Já os depósitos naturais, como oco de árvores, foram 2%.

Planos

O cenário para o próximo ano não é otimista. Lideranças da Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis (SRS-DIV), em reunião em maio deste ano, destacaram que o panorama para 2020 é ainda pior. A expectativa é baseada no “ciclo da dengue”, uma vez que a doença tende a aparecer de forma mais grave a cada três anos.

Na cidade, em julho, o Comitê Municipal Gestor de Políticas Públicas de Enfrentamento das Arboviroses se reuniu para discutir estratégias já para o próximo ano. O objetivo é intensificar os trabalhos neste segundo semestre para evitar um cenário ainda mais grave em 2020.

Próxima ação

A Prefeitura realiza, amanhã, um mutirão de limpeza nos bairros São Cristovão, Jardinópolis e Floresta. O objetivo é recolher entulhos e lixos acumulados, para evitar que esses materiais se tornem criadouros do mosquito Aedes. Até o momento, já foram promovidos 31 mutirões.

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