Seguimos reféns

Preto no Branco

Um ano se passou, mas voltamos lá para o início, um ano atrás. Quando tudo parecia caminhar para o fim, era apenas o começo. Hoje, a pouco dias de completar um ano em que se fechou o comércio, indústrias e manteve funcionando apenas os serviços essenciais, a sensação que se tem é que andamos em círculos, pois estamos exatamente no mesmo lugar que estávamos em março do ano passado. No mesmo lugar, porém, com mais casos, mais mortes, cada dia um novo recorde e com uma nova cepa, mais mortal e mais contagiosa.

Quem disse um dia que nada era tão ruim que não podia piorar, acertou no alvo. O que já era ruim ficou ainda pior. E aqui estamos nós um ano depois. Reféns de um inimigo invisível, de um desgoverno, de atitudes mal planejadas, de uma sociedade individualista, da falta de políticas públicas eficazes, da falta de empatia e do amor ao próximo. Aqui estamos: reféns das notícias falsas, da falta de leitos hospitalares, da falta de oxigênio, das discussões intermináveis sobre o que é certo ou errado, sobre quem é prioridade ou não. Aqui estamos. No mesmo lugar. E ainda sem grandes perspectivas de sair dele. 

Um ano depois, estamos aqui enfrentando mais uma vez o lockdown, a descrença, o medo. Um ano depois, o que nos resta mais uma vez é apenas rezar, pois o que nos trouxe até aqui foram as nossas atitudes, o nosso egoísmo. Falhamos miseravelmente como seres humanos. Sem opções, nos pegamos àquelas que nos davam um pouco de esperança de voltarmos ao normal. Ilusão. Pois foi justamente por querer viver como se nada estivesse acontecendo é que nos encontramos aqui mais uma vez. 

E lá vamos nós mais uma vez, pedir portas abertas, pedir portas fechadas, fazer protesto pró e contra, cobrar por mais leitos, por mais ações, por mais vacinas, apontar culpados, buscar quem é certo e quem é errado. Lá vamos nós de novo, afinal, estamos na “Caverna do Dragão”, com o nosso Mestre dos Magos. Um ano depois, estamos aqui fadados a continuar a nossa jornada com o medo e a desesperança, sem grandes expectativas, e, ao que tudo indica, com as mesmas atitudes. Sem grandes mudanças que nos tragam resultados. 

Pouco mais de um ano depois do primeiro caso, do primeiro lockdown, e pouco antes de um ano da primeira morte, andamos, e muito, mas em círculos. Alguns pagaram com a vida pelos incontáveis erros cometidos nesta caminhada; outros precisaram “sentir na pele”; já outros continuam a não se importar. E é justamente por esses que não se importam que todos pagam o preço hoje, seja ele qual for. Agora o que resta é parar de lamentar e seguir em frente, na onda roxa. Quem pode, deve agradecer por ainda estar aqui, respirando, e, talvez, desta vez, escolher o caminho certo, para que a história não seja a mesma em março do próximo ano. Afinal, tudo o que é ruim pode, sim, ficar ainda pior. A prova disso está aí. Pois, lá vamos nós outra vez, enfrentar o “início” mais uma vez. É o que nos resta hoje. Mas, talvez seja prudente enfrentar o “início” com outras atitudes. Vai que dá certo.

 

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