Secretário orienta para festas de fim de ano

Estado destaca melhora do cenário e efetividade das vacinas

 

Matheus Augusto

O secretário de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Fábio Baccheretti, concedeu, ontem, nova entrevista coletiva para destacar a situação da pandemia no estado. Baccheretti apontou que o cenário continua controlado e com os indicadores em queda, resultado do avanço da vacinação nos municípios. Ele detalhou, ainda, a flexibilização do protocolo para aulas na rede estadual, a imunização de crianças, a possibilidade de desobrigação do uso de máscara e a previsão para o fim do ano.

 

Melhora constante

Dados de ontem mostram Minas com 2,1 milhões de casos confirmados e 55.064 mil mortes confirmadas pela doença. Nas últimas 24h, foram 1.860 novos casos confirmados e 28 óbitos. Após apresentar o boletim, o secretário destacou a queda dos indicadores. 

— Mais uma vez, estamos no nível inferior do primeiro pico da pandemia no ano anterior. O número de pacientes internados está caindo a cada semana — citou.

Segundo o chefe da pasta, um dos fatores para a redução das mortes por covid-19 é a queda do número de pacientes internados. 

— E parte dos internados estão vacinados, com a chance de óbito menor — explicou. 

Consequentemente, a média móvel tem se mantido “muito baixa”, afirmou o secretário.

 

Alerta

Apesar de bons indicadores, Baccheretti voltou a reforçar a importância de os idosos receberem a dose de reforço.

— Proporcionalmente, os idosos são os que mais ocupam os leitos hoje, por isso a importância do reforço para idoso. (...) Neste momento, é o público mais frágil da doença —  revelou.

A análise da SES-MG aponta que mais de 80% dos óbitos, atualmente, são de idosos.

— O idoso é o que mais morre — alertou Fábio.

 

Não afetou

Outro ponto abordado durante a coletiva foi a desmobilização de leitos, promovida pela pasta ao longo dos últimos meses. Em Divinópolis, por exemplo, foram cortados 30 leitos exclusivos para covid-19 do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD). A partir de 1º de novembro, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto também sofrerá cortes: 30 leitos de UTI adulto, 12 de enfermaria adulto e oito de enfermaria pediátrica. Os motivos alegados foram a baixa taxa de ocupação e a necessidade de reverter tais leitos para o tratamento de pacientes com outras enfermidades.

O secretário explicou que a análise para a decisão é criteriosa e, até o momento, a redução do número de leitos exclusivos para pacientes com coronavírus não prejudicou o atendimento hospitalar. 

— Mesmo com a desmobilização de leitos a ocupação continua abaixo de 25% — citou, acrescentando que a taxa é considerada “muito baixa”.

Com a queda da incidência e mais mineiros imunizados, o desenvolvimento de sintomas graves da doença e a procura por internação caiu.

— Temos vagas sobrando em hospitais no estado. (...) Não há nenhuma pressão sobre o sistema de saúde do estado — garantiu.

 

Efetividade e variantes

Uma das preocupações, mesmo com o caminhar da imunização, é a disseminação de variantes mais transmissíveis e letais do vírus, bem como o surgimento de novas mutações. No entanto, a secretaria não vê a concretização do cenário pessimista. 

— O vírus está circulando cada vez menos, o que mostra que a vacina está barrando a disseminação — destacou o secretário.

Segundo ele, o objetivo é ter cada vez menos pacientes internados, não apenas para reduzir o número de mortes, como também para frear a transmissão, “reduzindo o risco de surgir uma nova variante”. Quatro mil amostras já foram coletadas para análise. Em mais de 600 foram encontradas a mutação delta e em cerca de 500 a gama. Ainda não há motivo para preocupação, assegurou.

— Não há impacto assistencial, apenas aumento de casos em localidades pontuais — frisou, citando, como exemplo, a cidade de Unaí.

Apesar disso, todas as macrorregiões do estado permanecem, pela próxima semana, na onda verde.

— Vamos aguardar se esse aumento de incidência vai influenciar em algo — refletiu o secretário. 

 

Crianças

Como noticiado pelo Agora em sua última edição, a vacinação de crianças com 11 anos ou menos pode ficar para o próximo ano. A Secretaria de Estado de Saúde ainda aguarda o posicionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério de Saúde (MS) para iniciar a imunização desse público. A permissão depende da aprovação de doses seguras para essa faixa etária.

—  É uma expectativa nossa que isso aconteça logo. (...) Alguns países conseguiram aprovação, como nossa vizinha Argentina. Os Estados Unidos também estão tentando. (...) A Anvisa já está analisando o pedido da Pfizer, há uma expectativa positiva —  frisou o secretário.

 

Flexibilização

Diante do “momento favorável dos indicadores”, a SES-MG aprovou novas flexibilizações no protocolo de aulas presenciais na rede estadual. A principal mudança é a redução do distanciamento mínimo de 1,5 metro para 0,9 m. Além disso, a partir de agora, com a mudança já em vigor, não há limitação da quantidade de alunos por sala – desde que respeitado o distanciamento.

— Estamos vendo as escolas cumprindo seu papel e respeitando os protocolos sanitários estabelecidos — afirmou.

Baccheretti citou, como fatores para aprovação, a boa adesão das escolas às diretrizes, poucos casos de surtos e a importância do retorno escolar para a socialização dos alunos.

— Agora as salas podem ter 100% de sua capacidade, bem como o transporte escolar. Não há limitação de alunos por sala, mas está mantido o distanciamento e o uso de máscara — citou o chefe da pasta.

Outro alteração foi a permissão para uso de objetos compartilhados, como computadores. 

O próximo passo é discutir e avaliar a possibilidade de revogar o distanciamento mínimo, processo para tornar a volta às aulas presenciais obrigatória. 

— Estamos otimistas com o retorno total das atividades escolares — espera Fábio.

O retorno integral de todos os alunos pode acontecer ainda neste ano, mas dependerá da progressão do cenário. A exceção podem ser estudantes imunossuprimidos e outras comorbidades.

Conforme o protocolo atual, em caso de apenas um caso, não haverá a interrupção das aulas, apenas o acompanhamento do paciente. Mais de um, a turma inteira entra em quarentena por mais de 14 dias. Mais de dois casos em turmas diferentes, todas do mesmo período (manhã, tarde ou noite), terão que passar pela quarentena. Em períodos diferentes, a escola inteira precisará respeitar os 14 dias de isolamento.

 

Festividades

Outro pergunta respondida pelo secretário de Saúde foi sobre a situação das festas de fim de ano. Apesar de classificar a expectativa como imprevisível, Baccheretti vê com otimismo o combate à pandemia neste período.

— Em dezembro, a expectativa no Brasil é que a imunidade de rebanho seja atingida. (...) Temos tido uma adesão muito ampla à vacinação. 

Com isso, o cenário no fim de ano deve ser de baixa circulação do vírus e boa parte da população completamente imunizada, seja com duas doses ou dose única.

— Mas o risco não é 0 de se contaminar — antecipa.

O objetivo, nas festas de fim de ano, recomenda, é “diminuir os riscos”. 

—  Se vai fazer um encontro familiar, faça em locais abertos arejados —  orienta o secretário.

Na presença de familiares idosos ou com comorbidades, permanece a sugestão do uso de máscara, manter o distanciamento de 1,5 metro e evitar, por exemplo, o compartilhamento de talheres, copos e outros objetos.

—  Vamos pensar nos idosos, imunocomprometidos e com comorbidades.

 

Mascára: obrigatória até quando?

Questionado sobre a possibilidade de o governo de Minas se antecipar à sinalização do governo federal e desobrigar o uso de máscara, o secretário negou essa possibilidade neste momento. Segundo ele, a avaliação deve ser feita com base em outros países. Assim, a permissão só foi autorizada em locais abertos, como ruas, parques e praças, após tais localidades alcançarem a imunidade de rebanho, ou seja, cerca de 80% da população totalmente imunizada. Outro fator é a baixa circulação do vírus que, de acordo com o secretário, já poderia ser considerada em Minas. No entanto, a imunidade de rebanho é esperada apenas para o fim de novembro. 

— Vemos com isso possível, (...) mas ainda não é o momento — defendeu.

A avaliação será gradativa: “Um passo de cada vez”, destacou. E, caso esse cenário seja alcançado, o uso de máscara será obrigatório em locais fechados.

— Talvez seja possível desobrigar em locais abertos, em locais fechados ainda será preciso manter — finalizou. 

 

Velhas doenças

Outro alerta ficou por conta de outras doenças, também combatidas por meio de vacinas. 

— Não existe só covid, existem outras doenças com vacinas historicamente eficazes — argumentou.

Por isso, ele convocou pais e responsáveis para levarem as crianças ao posto de saúde mais próximo para a “Campanha de Multivacinação” e colocar o cartão de vacinação em dia. Segundo Fábio, em alguns casos a cobertura vacinal está em 70%, enquanto o objetivo é 95%.

— Vamos buscar a vacinação de todas as doenças. (...) Nossa cobertura está abaixo da meta, todas as vacinas estão abaixo da meta. São doenças evitáveis por vacinas, não podemos esquecer de outras doenças, preveníveis — justificou.

Em Divinópolis, em razão da campanha, o Centro de Saúde Central, no bairro Esplanada, ficará aberto amanhã, das 8h às 16h. O público é crianças de 0 a 15 anos.

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