Secretário de Saúde faz apelo a prefeitos e população para manter o isolamento e frear o avanço da pandemia

Da Agência Minas

O secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti, fez um apelo aos prefeitos e à população mineira para o cumprimento das medidas restritivas impostas pela onda roxa do plano Minas Consciente. Em coletiva à imprensa nesta quarta-feira, 24, ele afirmou que o isolamento social é uma decisão humanitária que tem como principal objetivo preservar a vida dos mineiros e garantir atendimento hospitalar a todos os doentes.

Em reunião também nesta quarta-feira, o Comitê Extraordinário Covid-19 decidiu manter a onda roxa em todo o estado pelo menos até o domingo de Páscoa, 4. Nesta fase, são permitidos apenas o funcionamento de serviços essenciais, entre outras normas mais rígidas para diminuir a circulação de pessoas e frear o contágio.   

— É muito importante destacar o papel do prefeito e dos municípios em relação à adesão à onda roxa. Há regiões que já estão com quase 100% de leitos ocupados e continuam permitindo várias atividades que o Minas Consciente, na onda roxa, não permitiria. É importante a responsabilidade de cada gestor municipal no enfrentamento dessa doença. É muito cedo para qualquer município fazer qualquer tipo de flexibilização — afirmou Fábio Baccheretti, lembrando que, diferentemente de outros momentos da pandemia, não é possível transferir pacientes para outras cidades, já que todas as macrorregiões estão com taxa de ocupação elevadas.

Internação prolongada

O secretário reforçou ainda que o comportamento da covid-19 é diferente de outras doenças respiratórias e exige uma internação prolongada, o que dificulta ainda mais o atendimento a todos os doentes.

— Um leito de UTI roda em média dois pacientes por mês, fazendo com que a pressão sobre o sistema de saúde seja tão grande. O número de pacientes aguardando está aumentando, mostrando que o crescimento da doença é maior que a capacidade de abertura de leitos. Hoje, temos 714 pacientes cadastrados aguardando. Há três dias, eram 470 — destacou.  

Segundo Baccheretti, os resultados das restrições impostas pela onda roxa serão sentidos nas próximas semanas, mas a expectativa ainda é de aumento de casos e óbitos nos próximos dias. 

— A redução dos casos só vai surtir efeito na ocupação cerca de 15 a 21 dias (após a implantação da fase mais restritiva). Os óbitos, cerca de 30 dias depois. Os óbitos de hoje são os pacientes internado há 20/30 dias. Como estamos com alta ocupação, esse óbito vai aparecer em cerca de duas semanas — disse.

Por isso, ele ressaltou que é essencial manter o isolamento para garantir que o cenário melhore. 

— O isolamento de Minas e do país vem subindo, mas ainda de forma muito lenta. A queda da incidência está sendo sentida em regiões que estavam antes na onda roxa, mas a ocupação de leitos não vem caindo. Reforço o papel do cidadão mineiro, dos prefeitos, sabemos do momento social difícil, mas as medidas restritivas irão acarretar melhorias dos indicadores em algumas semanas — concluiu.

Vacinação

O secretário de Estado de Saúde também reafirmou o compromisso do governo estadual para negociar a compra de vacinas e distribuir rapidamente os lotes recebidos do governo federal. Segundo ele, a imunização é uma prioridade, já que é a única forma de conter a pandemia a longo prazo.

— Estamos distribuindo o último lote que chegou do Ministério da Saúde entre todas as macrorregiões, hoje e amanhã, para que chegue aos municípios de forma quase imediata e eles consigam aumentar a velocidade da vacinação. Agora, as cidades polo poderão receber as vacinas inclusive aos fins de semana — disse Baccheretti, explicando ainda que há expectativa da chegada de mais imunizantes entre março e abril.

— Já percebemos que os que estão vacinados ocupam menos os nossos hospitais. A expectativa é muito positiva e acreditamos que, se o cidadão mineiro fizer bem essa restrição nesse momento, e com o aumento da vacinação no fim de março e abril, poderemos não precisar mais dessas restrições — lembrou.

Oxigênio e insumos

Durante a coletiva, o secretário também destacou que o governo estadual está em contato com o Ministério da Saúde para obter ajuda na reposição de oxigênio e insumos, como o kit intubação.

— O Ministério da Saúde nos comunicou que, na sexta-feira, 26, irá fornecer insumos a todos os estados, sem afetar a entrega periódica aos hospitais, ou seja, será um lote a mais. Nós, de forma imediata, iremos fornecer para suprir esses hospitais que vêm sofrendo mais — informou.

Sobre o oxigênio, ele explicou que o maior desafio é logístico, mas o Estado também está ajudando os hospitais a fazerem a reposição do item.

— Vários hospitais expandiram leitos com cilindros e estamos tentando agora qualificar essas unidades com financiamento e ajuda técnica, para que esse problema logístico seja amenizado e os cilindros, fornecidos. Destaco também que a Fiemg anunciou ontem a ajuda ao estado com novos cilindros de oxigênio que vão poder ajudar nesse momento de maior consumo — afirmou.

Novos leitos

Baccheretti também lembrou que o Estado anunciou, nesta terça-feira, 23, a abertura de 100 novos leitos de UTI, possibilitados pelo recebimento de 100 respiradores doados pela Fiemg. As novas unidades se unem a 30 outras anunciadas na semana passada.

— Além disso, vários hospitais do estado vêm tentando abrir leitos. Está garantido pelo Estado o financiamento deles, pelo credenciamento antes mesmo da habilitação pelo Ministério da Saúde. Há vários leitos previstos e sendo abertos de forma diária — disse.

Sobre os leitos de enfermaria, que demandam uma estrutura menos complexa, o secretário explicou que eles também estão sendo abertos para atender os casos leves, mas que precisam existir em conjunto com as UTIs, devido à possibilidade de agravamento dos pacientes.

— O paciente de covid é um pouco diferente de outras doenças. 30% daqueles que ocupam vaga de enfermaria evoluem para terapia intensiva. É uma porcentagem muito elevada e por isso o estado busca a abertura de leitos de enfermaria em hospitais mais robustos e tradicionais, que garantam então esse tratamento do paciente grave.

Outras doenças

Questionado sobre o atendimento médico a pacientes com outras doenças, durante esse momento de saturação do sistema hospitalar em decorrência da covid-19, Fábio Baccheretti esclareceu que existem unidades integralmente dedicadas a outras patologias, como os hospitais João XXIII e a Unidade Alternativa de Assistência à Saúde Galba Velloso.

— O Estado se preocupou em garantir a assistência de outras doenças que não sejam covid com essas ações. Hoje, o antigo Galba Velloso está todo ele dedicado a pacientes clínicos não covid. O hospital João XXIII, conhecido como hospital do trauma, está dedicado, além de pacientes de trauma, a pacientes clínicos não covid, para que os demais hospitais se dediquem a essa doença que vem assolando a maior parte dos cidadãos mineiros.

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