Secretaria de Estado de Saúde reforça importância da vacinação contra a febre amarela

Da Agência Minas

No Informe Epidemiológico da Febre Amarela, divulgado na última terça-feira, 27, pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), houve o registro de 11 pacientes com histórico de vacinação prévia e exame positivo para a doença.

A pergunta que muitos se fazem é se a vacina protege realmente e se é preciso tomar medidas adicionais para evitar a febre amarela. Nesse cenário, os boatos que circulam nas redes sociais questionando a eficácia da vacina surgem na contramão de um movimento importante que é o de aumentar os índices de imunização da população.

A própria Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fabricante da vacina utilizada no Brasil, publicou uma nota esclarecendo os boatos sobre mutações no vírus da febre amarela e a eficácia da vacina. Confira aqui a nota na íntegra.

Com os dados divulgados no informe do dia 27, Minas Gerais atingiu cerca de 90% de cobertura vacinal contra a febre amarela.

— Isso significa dizer que em torno de 18 milhões de pessoas já foram vacinadas no estado. Logo, esses 11 casos confirmados, até o momento, em pessoas imunizadas, representam estatisticamente um valor muito abaixo dos 2 a 5% que não respondem à vacina. Pode-se então afirmar que a vacina tem a sua eficácia e que, em Minas Gerais, ela está acima da média geral — afirma o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde, Rodrigo Said.

Cabe ressaltar ainda que a vacina contra febre amarela, segundo indicam os estudos acumulados ao longo dos anos, protege de 95% a 98% dos casos, sendo considerada altamente eficaz e segura na prevenção da transmissão do vírus, lembrando que não há nenhuma vacina ou medicamento que alcance 100% de eficácia em sua utilização.

O subsecretário reforça também que Minas Gerais é área com intensa atividade de circulação do vírus da febre amarela, juntamente com uma densidade significativa dos vetores que são transmissores da doença em seu ciclo silvestre.

— Isso mostra que nossa população, em Minas Gerais, está exposta a um risco de contrair a doença. Logo, a principal estratégia de controle continua sendo a vacinação. Diante de todos esses boatos em redes sociais, precisamos desmitificar as dúvidas sobre a vacina. Todos os documentos de instituições oficiais ligadas à saúde atestam a efetividade da vacina, reforçando-a como a principal ferramenta para controle da doença — frisa Rodrigo Said.

Clique aqui para saber mais sobre o que diz a Fiocruz sobre os mitos e verdades sobre a vacina.

A meta em Minas Gerais é atingir 95% da população, composta por crianças a partir dos nove meses de idade. O estado, em sua totalidade, é área com recomendação para vacinação contra febre amarela desde o ano de 2008.

Caso o usuário tenha dúvidas quanto à sua vacinação, a orientação é que ele procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência e leve o seu cartão de vacina para que o profissional habilitado faça a avaliação e se necessário, o imunize.

Como medida adicional, para a população mais exposta à circulação do vírus, recomenda-se também a utilização de repelente como medida de proteção individual.

Investigação dos casos

Atualmente, há uma comissão composta por representantes da Secretaria de Estado da Saúde, Ministério da Saúde, Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) e Fundação Ezequiel Dias (Funed), investigando cada um dos pacientes com histórico de vacinação prévia e exame positivo para febre amarela.

Os casos permanecem em investigação para levantamento de informações clínicas e epidemiológicas fundamentais para sua conclusão. Até o momento, eles têm uma mediana de idade de 21 anos (7-47 anos), sendo que todos receberam uma dose da vacina de febre amarela por volta dos 5 anos de idade, em média, variando entre 9 meses e 44 anos.

— O que nós precisamos aprofundar é a investigação de fatores individuais dos pacientes, da própria resposta imunológica dessas pessoas. Lembramos, contudo, que esses casos estão dentro da previsão das estatísticas das publicações sobre a efetividade da vacina — destaca Rodrigo Said.

A SES-MG continua recomendando uma única dose ao longo da vida, como medida de maior proteção contra a doença, seguindo as determinações do Regulamento Sanitário Internacional aprovado no âmbito da Organização Mundial de Saúde, que serve de referência para todos os países.

Cobertura vacinal e surgimento de novos casos

Muito se questiona acerca do motivo de estarem surgindo novos casos de febre amarela, mesmo com uma cobertura de cerca de 90% da população em Minas Gerais. Fato esse que pode ser explicado pela doença ser transmitida por vetores que têm uma alta circulação no estado.

— Não é uma transmissão entre seres humanos, como o sarampo ou a gripe, por exemplo, em que a vacina é capaz de garantir uma proteção coletiva. Por isso é que no caso da febre amarela nós temos que atingir uma cobertura de 95 a 100% da população. O vetor está presente no nosso ambiente, circulando com o vírus, e logo as pessoas estarão expostas à doença, caso não tenham se vacinado — explica o subsecretário.

Além disso, a concentração de não vacinados ocorre exatamente nas regiões em que há maior exposição aos vetores transmissores, quais sejam as zonas rurais do estado e próximas a matas, acometendo essas pessoas que ainda não se imunizaram – que são, principalmente, homens em idade ativa.

A questão cultural relacionada a esse público de, via de regra, não procurar os serviços de saúde para garantir proteção, além da dificuldade de acesso, casa a casa, pelas equipes de saúde dos municípios a essas pessoas não imunizadas, devido à extensa área rural do estado, são fatores que também ajudam a explicar esse cenário.

Como proteção coletiva, entende-se o efeito obtido quando algumas pessoas são indiretamente protegidas pela vacinação de outras, o que acaba beneficiando a saúde de toda a comunidade. É o mesmo que “proteção de grupo” ou “proteção de rebanho” e funciona quando a pessoa vacinada não transmitirá a doença para outros que não estão imunizados por razões como: são muito novos para tomar alguma vacina; têm algum problema que impede a vacinação; foram vacinados antes, porém, não produziram níveis ideais de anticorpos, logo, não ficaram devidamente imunizados. Fato esse que não ocorre no caso da febre amarela.

Mais informações em www.saude.mg.gov.br/febreamarela

Perguntas e respostas sobre a doença: http://www.saude.mg.gov.br/duvidasfebreamarela

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