Se o povo soubesse

Editorial 

2020 enfim está terminando, mas as movimentações nos bastidores da política divinopolitana já dão sinais do que esperar para 2021. Muito longe de ser a salvadora de Divinópolis, a que vai transformar a cidade num “Jardim do Éden”, ao que tudo indica a dita “nova política” nada mais é do que o mais do mesmo, porém travestido de um discurso muito bem feito e um marketing bem pesado. Se o povo soubesse mesmo o que acontece, pensaria duas vezes antes de confiar o seu voto àqueles que apenas falam que a população quer ouvir. Pode-se começar pelas diversas “modinhas” adotadas. Alguns métodos trazem consigo um marketing político sem igual e dão ao eleitor a sensação de que enfim as coisas vão andar. Mas a coisa não funciona bem assim. Ao analisar a fundo os participantes de algumas práticas adotadas e os escolhidos para assumir funções cruciais em qualquer administração país afora, vê-se uma discrepância entre currículos e pessoas escolhidas. 

O que mais se vê é gente com mestrados, que fala inglês, disputando uma vaga com pessoas que têm apenas uma graduação, pouca experiência, ou, muitas vezes, experiência de sobra. E, por incrível que pareça, em alguns casos, é justamente a pessoa que tem menos experiência a escolhida para assumir a função. A situação é no mínimo questionável, afinal, a escolha não é feita a partir do critério técnico? No Brasil, infelizmente, a falta de acesso à educação e de entendimento político é uma aberração. Recursos para investir e promover educação de qualidade e acessibilidade à população não faltam. Porém, a cada dia, temos a certeza de que tudo isso não passa de um projeto pessoal dos políticos. Manter a população como massa de manobra, dificultando o acesso à educação, é o que os mantém no poder, e asseguram as suas dinastias – pai, filho, irmão, cunhado, esposa, marido na política. 

Junto à falta de acesso à educação, à de tempo e de interesse do povo na política, tem-se ainda as redes sociais. É lá que os políticos usam seus fakes para disseminar ódio e desinformação. Este é o “novo”, esta é a “nova política”. Se o povo soubesse como realmente funciona o marketing político, o eleitoral, se tivesse acesso à informação – prefere entretenimento – talvez não acreditasse nas primeiras palavras bonitas que ouvisse. O Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostra que três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, embora saibam ler e escrever, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas. Em outras palavras, um “banquete” para aqueles que dominam o marketing político e se apresentam como os “salvadores da pátria”. Talvez, se o povo realmente soubesse o que acontece nos bastidores, o Brasil não estivesse do jeito que está e muito menos Divinópolis. 

Muito ainda há de ser questionado. Afinal, uma cidade justa e desenvolvida se faz com debate, discussão, com participação. Enquanto há muita fumaça por detrás de muita coisa, muitas escolhas, é melhor o povo ir se preparando para o que lhe espera nos próximos anos. Afinal, quem avisa, amigo é.

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