Se o povo quiser

Preto no Branco 

Se soubesse votar, acompanhar o trabalho e, principalmente, fiscalizasse o mandato do seu escolhido para representá-lo, tudo seria diferente. Porém, não é assim e, por causa disso, os políticos fazem dele “gato e sapato”. Imagine se ele vai saber responder um questionário aprovando ou não o nome de ciclano ou beltrano para a disputa de um cargo majoritário. Em Divinópolis, estão rolando perguntas dirigidas aos eleitores nas redes sociais, nas ruas e, principalmente, nos bairros periféricos. Os pré-candidatos que encomendaram garantem que só disputarão a cadeira de prefeito se o povo aprovar. E o pior é que a maioria acredita.

Andam na risca

O mais doído desta realidade é que em uma sociedade passiva como no Brasil basta meia palavra doce para que os subordinados se transformem em ovelhas dedicadas e treinadas a pastar capim. E a hipnose é tão grande que elas não reclamam nem mesmo quando o capim está escasso ou falta. O caos na Saúde, em que faltam medicamentos básicos, é um exemplo. Quando alguém foi para a porta de uma unidade de saúde ou farmacinha pública, por exemplo, com faixas e cartazes reivindicando o que é seu de direito? Por isso é fácil entender por que quem está no poder “deita e rola”.

‘Fica esperto’

É exatamente o que a gente ouve quando alguém nos alerta que estamos sendo passados para trás. E ilustra muito bem este período que antecede as eleições, quando, além de promessa que até Deus duvida, tanta gente acredita até em mágica. No campo das ilusões, basta um estalar de dedos para que uma situação travada há anos se resolva. O Hospital Público Regional está aí para mostrar a realidade bem diferente. No entanto, de uns dois anos para cá, parece que o estado de letargia de alguns está começando despertar. Um bom sinal em um ano em que os bastidores já medem o termômetro das eleições em outubro.   

Presas fáceis

Provas de que as coisas começam a ficar mais transparentes são alguns eleitores já perceberem quando o discurso político não passa de encenação, muitas vezes desastrada. Reluta para não pagar tributo por um expressionismo cênico, grotesco e demagógico. Esses precisam abrir caminho para os acomodados. John Stuart Mill, em Considerações sobre o Governo Representativo, faz a distinção entre duas espécies de cidadãos: os ativos e os passivos. É claro que os políticos preferem os inertes – pois é mais fácil dominar súditos dóceis ou indiferentes –, mas a democracia e as necessidades urgentes da população precisam dos primeiros.  Então, mãos à obra, ainda há tempo.

Partiu Brasília

O sonho do aposentado Sérgio Rabelo, 66 anos, de Nova Serrana, em pelo menos ver de perto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dá um minirroteiro de filme. Ele se apegou ao costume de o presidente parar, quando sai do Palácio da Alvorada, pelas manhãs, para cumprimentar e até brincar com muita gente que fica à sua espera. O aposentado começou a planejar a viagem em julho, pegou R$ 2 mil de empréstimo consignado, uma mochila, 13h horas de ônibus e partiu sentido à capital federal. Não conseguiu nem dormir de ansiedade, mas...

Deu ruim

Ao chegar ao seu destino, às pressas na manhã da última quarta-feira, 15, tomou um táxi e seguiu para o Alvorada, porém, quando descia no veículo, seu sonho virou pesadelo. O presidente já havia falado com um grupo de pessoas e deixava a residência oficial. A tentativa de Sérgio Rabelo não foi a única, o ritual se repete todos os dias desde junho passado, quando o presidente começou a atender seus fãs. Uns dão sorte, outros, como ele, não. Mas o importante é que ele não vai desistir, só não sabe como ainda, já que vai demorar a pagar o empréstimo. Bem que alguém poderia dar uma força para ele. #ficaadica, Fernando Malta, Sargento Elton...

A reportagem está na Folha de S. Paulo da última segunda-feira, 20.

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