Se discute, sim!

Editorial 

Desde que o mundo é mundo, o ser humano carrega consigo aquele ditado “política, futebol e religião não se discutem”. Pois é, a humanidade evita há séculos discutir estes assuntos, pois eles carregam paixões, e é justamente este é um dos maiores erros cometidos pelos seres humanos. Apesar de serem assuntos delicados, futebol, política e religião se discute, sim! Não discutir no sentido ruim da palavra, relacionado a briga, mas debater no sentido de argumentar, ouvir e analisar. Nos últimos anos, tanto clubes importantes de futebol quanto a Igreja  ‒ e a política nem se fala ‒ se envolveram em escândalos de corrupção, pegando muita gente seguidora de surpresa. E, infelizmente, tudo isso se deve a um único fator: a paixão. O debate, o consenso e o bom senso sempre perdem espaço para as opiniões e os posicionamentos que estão carregados de paixões. 

Talvez tão importante quanto avaliar os candidatos neste momento, para fazer uma boa escolha neste domingo, a população divinopolitana – eleitores ou não – deva criar o hábito de fiscalizar, de cobrar (com sabedoria), de analisar com calma, deixando suas paixões de lado. Discutir. Estar aberto ao debate. Ouvir. Pensar. Avaliar. Afinal, amadurecer é preciso. Há 31 anos, os brasileiros estão rodando em círculos. Querem mudanças, pedem renovação, cobram uma postura irretocável de seus representantes, mas não querem mudar. Não abrem mão desta postura que levou e leva cidades, estados e até mesmo o país a caminhos um tanto quanto tortuosos. Há 31 anos, o brasileiro segue à risca aquele ditado “faça o que eu falo, mas não faça o que faço”. Espera mudanças, mas repete os comportamentos. 

A semana decisiva para Divinópolis chegou. Domingo o eleitor vai para a urna escolher seus representantes. Ao que as redes sociais indicam, a população ainda carrega suas paixões e não consegue separar o “joio do trigo”. Infelizmente, eleitores, fiéis e torcedores alucinados com seus clubes ainda não conseguem apontar com clareza o que está certo e o que está errado em seus representantes, em sua fé e em seus times. Cegos de paixão, se arriscam no “vale-tudo” para não encarar a realidade de frente e ter que lidar com a decepção. É triste, mas é real. O amadurecimento ainda está longe. Talvez, o processo tenha apenas se iniciado com algumas pessoas aqui e outras ali, mas ainda é preciso mais, pois discursos bonitos não mudam a realidade. Comportamentos padrões não trazem mudanças. É preciso um pouco mais para que esta renovação aconteça. É preciso amadurecimento. 

É bem provável que a paixão vença nas urnas mais uma vez e que Divinópolis demore um tempo para voltar a crescer, para voltar a se desenvolver. Mas a esperança é que a cada eleição se avance um pouco mais. Que nem tudo esteja perdido, e que o eleitor consiga enxergar a importância do seu voto e da mudança de comportamento. Para renovar, é necessário que o trabalho comece domingo e não pare. É necessário que ele seja constante. No dia 15, o dever está só começando.

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