Saudade...

Amnysinho Rachid

Saudade: uma das palavras mais presentes nas mensagens amorosas, nas músicas em que descrevemos as misturas de sentimentos, de perdas, faltas e distâncias. Nunca passamos tanto tempo com este sentimento tão aguçado, acredito que o fator tempo nunca esteve tão presente para que isso aconteça.

Aí você para e começa a refletir que a evolução, o modernismo tem, sim, nos ajudado muito. Mas, como tudo na vida, tem o lado de ganho e o lado de perda. 

A cada dia somos mais vigiados e monitorados, nunca imaginamos vivendo como em filmes de cinema que mostravam os humanos sendo presos em suas próprias casas e vigiados pelos governantes cruéis. Achávamos o fim do mundo e que isso nunca aconteceria. Doce engano! Já estamos nesta fase. Hoje, a maioria dos condomínios está com portarias inteligentes, com porteiros que ficam em uma central bem longe dali e monitoram tudo por câmeras.

É muito engraçado para não dizer triste você encontrar um idoso tentando entrar em um lugar desses. Primeiro, você custa a entender onde deve apertar, aí uma voz pergunta quem é você, onde quer ir, o que quer fazer e aí diz que vai comunicar com o apartamento que deseja ir. Depois de um grande tempo, volta e abre para você. Aí você fica aliviado, achando que está liberado. Doce engano! Existe outra porta, que fica lacrada até que a outra porta se feche, aí ela se abre e você tem que passar rápido ou ela se fecha e você fica enclausurado. Na saída, acontece a mesma coisa: o porteiro virtual te pergunta onde foi e liga novamente perguntando se pode te soltar. Aí você sai, passando de novo pelas duas portas. O sentimento é que visitou uma prisão de alta periculosidade!

A cada dia, estamos mais vigiados. Outro dia, estávamos dando um rolé de bike deliciosamente em uma estrada de terra, e não é que apareceu um drone?! A vontade foi fazer uma bundalelê! Até no meio do mato, estamos sendo vigiados.

Fico imaginando como hoje a moçada faz para matar aula. No nosso tempo, que delícia era fugir do colégio e ir para Sorv Lanches, na pracinha do Santuário, esperar a aula do Instituto acabar.

Lembro uma vez que estávamos na praça a turma inteira matando aula, na maior zona, e eis que vira a esquina a poderosa Kombi verde do colégio São José, com a Diva Lúcia na direção e no carona a irmã Laís, que, mesmo antes de o carro parar, já estava com a metade do corpo para fora nos xingando. Desceu e, colocando todos em fila indiana, nos levou de volta para o colégio. O mais engraçado é que ela foi de Kombi ao lado da nossa fila esbravejando sem parar. Quase nos matou de vergonha.

Isso, sim, é uma deliciosa saudade dos tempos em que erámos surpreendidos, não monitorados.

E continuamos elaborando deliciosas iguarias gastronômicas. Tok Empreendimentos, rua Cristal, 120, Centro.                     

      

   

 

    

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