Saudade, meu pai

Amnysinho Rachid

Dizem que esta palavra tão marcante em nossas vidas – saudade – teve origem em Portugal, na cidade do Porto. Conta a lenda que, no começo das grandes travessias marítimas, quando as pessoas iam para se despedir daqueles que saíam nas viagens, ficava um sentimento difícil de explicar, um grande aperto no peito, ao qual foi dado o nome de saudade, termo usado apenas no nosso português. 

Como somos influenciados por datas e criamos expectativas para esses dias marcantes! Sabemos bem que foram criados pelo comércio para alavancar vendas, mas me diga quem não fica mexido com o Dia das Mães, dos Pais, Natal, Réveillon? Enfim, fomos desde bem pequenos programados para isso.

Quem nunca escreveu aquela famosa cartinha retrato de mãe ou de pai, onde fatidicamente você mencionava: "Minha mãe tem o cabelo de três cores: vermelho, preto e branco"? A mãe ficava numa alegria só.

Neste fim de semana foi comemorado nosso poderoso Dia dos Pais, já acordei com aquela expectativa do supercafé na cama elaborado pelo meu Nasser, com o apoio da minha Cleide, deliciosamente feliz.

Como lembrei do meu poderoso pai, Roberto Mendes! Dizem que pareço muito com ele, o que me deixa num orgulho só, tive um pai marcante, que foi meu maior amigo, meu confidente.

Era uma pessoa de luz própria, que por onde passou deixou sua marca. Lembro muito de tê-lo todas as noites em nosso quarto para nos dar um beijo. Entrava já fazendo aquela festa: "Quem vai querer um bacio?"... Passando de cama por cama, afagando cada um de nós… Delícia!

Casos não faltam do meu pai nos fins de semana no sítio do meu tio Adib. Sempre foi alegre e adorava aprontar com a turma. Sempre existia aquilo de jogar todo mundo dentro da piscina assim que estacionavam o carro. Quase morriam de rir! Os mais entusiasmados era meu pai e meu tio Adib. Uma vez esperavam escondidos atrás do bambuzal e o carro que parou foi do Antonio Cezário, correram e qual não foi a decepção ao verem que todos já estavam com trajes de banho?! Meu pai e meu tio Adib ficaram bravos e saíram planejando o que fazer. 

Não deu outra, voltaram no carro e deram conta de arrombar o porta-malas, ali dentro estavam todas as roupas deles, limpinhas para o retorno. Pegaram as roupas, deram muitos nós e levaram até a lavagem dos porcos. Jogaram peça por peça e trouxeram de volta e colocaram dentro do porta-malas. Passaram o dia rindo sozinhos, imaginando a hora da volta.

No momento da despedida, o Antonio Cezário foi até o carro buscar as roupas. Ao se deparar com o fedor, saiu correndo atrás dos dois, que a essa altura já estavam bem longe, morrendo de tanto rir.

Meu amado pai, hoje uso muito do amor, da sabedoria e da paciência que me foram passados por você para ensinar meu filho.

Acredito muito que você hoje está em um patamar bem melhor que o nosso e que este poderoso amor que foi plantado aqui hoje floresceu e está dando muitos frutos.             Meu querido pai, a cada dia te amo mais e a saudade, hoje gostosa, faz parte do meu dia a dia.

E continuo aqui, escrevendo minha história cada dia melhor. TOK EMPREENDIMENTOS, rua Cristal, 120, Centro.  

rachidmendes@hotmail.com              

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