Sargento Elton organiza passeata contra Copasa em Divinópolis

Maria Tereza Oliveira

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tem sido alvo de críticas da população divinopolitana. Insatisfeito com os serviços da empresa, durante a reunião da Câmara de ontem, o vereador Sargento Elton (Patriota) convocou a população para uma passeata contra a estatal.

Há tempos, a empresa já é tema de discursos acalorados dos vereadores que reclamam da postura da Copasa e dos problemas com os prazos estabelecidos.

Desta vez, Sargento Elton afirmou que a população não aguenta mais a situação. O vereador afirmou que a gota d’água foi o episódio de domingo, 10, quando, em alguns bairros da cidade, a água chegou suja às residências.

— Quantas vezes isso está acontecendo? É um absurdo deixar os bairros sem água e, quando não falta, ainda temos de lidar com a água imprópria para o consumo humano — reclamou.

Passeata

Ao Agora, o vereador contou que está organizando uma passeata no próximo domingo, 16, a partir das 9h30 para cobrar uma atitude da Copasa.

— A Copasa faz buracos na cidade, como tatu. Na rua Pitangui há quatro meses tem vários buracos. Um deles tem cinco metros de profundidade e aproximadamente 20 metros de comprimento — denunciou.

Elton afirmou que as apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apontaram para irregularidades e improbidade administrativa. De acordo com o vereador, as denúncias foram encaminhadas para o Ministério Público (MP) e Tribunal de Contas, que, segundo o parlamentar, não tomaram as medidas cabíveis.

— Estamos convocando a população divinopolitana para nos apoiar. A concentração será na Praça do Santuário. Diremos à Copasa que nós não a queremos mais na cidade — desabafou.

Impactos econômicos

O vereador disse ainda que as obras demoradas têm impactado na economia da cidade.

— Tem comerciante que foi obrigado a mandar funcionários embora. Outros estão chorando porque as obras impedem o trânsito. Nem as pessoas que costumavam fazer caminhada nas ruas, com obras da Copasa, têm aparecido mais — lamentou.

Para o Sargento Elton, os comércios têm fechado as portas por consequência das obras da Copasa.

— Há prédios com rachaduras por causa das obras. A população está sofrendo e a Prefeitura não toma atitude — criticou.

CPI

A insatisfação com a Copasa é antiga e, inclusive, já resultou em uma CPI. A comissão foi criada em setembro de 2017, após o município enfrentar problemas com o abastecimento de água. O requerimento foi feito pelo então vereador Cleitinho Azevedo (PPS).  Além dele, a CPI contou com Ademir Silva (PSD), Sargento Elton, Roger Viegas (Pros) e Zé Luiz da Farmácia (PMN) como membros.

Durante as investigações, foram ouvidos também moradores da cidade, representantes da Agência Reguladora de Água e Esgoto de Minas Gerais (Arsae) e da Copasa, o prefeito Galileu Machado (PMDB), e o ex-prefeito Vladimir de Faria Azevedo (PSDB).

A CPI também analisou contratos, principalmente os que dispõem diretamente sobre a execução dos serviços municipais de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Copasa. A empresa afirmou que a água distribuída em Divinópolis encontra-se dentro da normalidade, atendendo aos padrões de potabilidade do Ministério da Saúde. 

— No último fim de semana ocorreram alterações pontuais na cor da água na cidade, em decorrência de uma variação abrupta de turbidez da água bruta do rio Itapecerica ocorrida na noite de sexta-feira, 8 — revelou.

De acordo com a Companhia, assim que a alteração foi identificada, a produção na Estação de Tratamento de Água (ETA) rio Itapecerica foi suspensa e providenciada a adequação dos processos de tratamento, regularizando a situação.

Já sobre as obras de implantação do interceptor na rua Pitangui, no bairro Bom pastor, a Copasa informou que a previsão é que as intervenções neste trecho sejam concluídas em até 30 dias.

— A execução dos trabalhos foi dificultada pela composição do terreno no local, com presença de água e areia no solo, que atrapalham a implantação dos interceptores que integram o sistema de esgotamento da ETA — salientou.

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