Samu projeta desafios e divulga balanço

Da Redação

O ano de 2019 foi de desafios para muitos setores. Na Saúde não foi diferente. No entanto, apesar das dificuldades e da dívida deixada pelo Governo do Estado no ano anterior, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência (Cis-Urg Oeste) conseguiu manter as atividades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Conforme conta o secretário executivo da entidade, José Márcio Zanardi, atualmente, os repasses estão em dia.

— Começamos o ano de 2019 com um problema financeiro grave, sem nenhum fluxo de caixa, uma vez que o governo estadual anterior deixou um débito de quatro meses, o que significa para a gente cerca de R$ 8 milhões. Esses recursos fazem falta. Se não fossem as economias que nós tínhamos feito desde o início do consórcio, em 2014, a gente não teria conseguido manter o serviço em funcionamento da forma que está, com todos os nossos fornecedores em dia, bem como todos os nossos funcionários com pagamento dos salários sempre de forma regular e, às vezes, até de forma adiantada — declarou Zanardi.

Apesar da regularidade, a dívida do governo anterior ainda não foi quitada.

— O desafio ainda é muito grande. O governo do estado, apesar de todo o esforço que fez, de manter o pagamento regular, ainda não conseguiu colocar em dia os débitos anteriores. Mas só o fato de ter o pagamento todos os meses nos tem ajudado a manter o serviço em dia — explicou o secretário.

Veículos

O secretário executivo do consórcio ainda explicou que uma das necessidades do Samu precisou ser sanada como recursos do próprio consórcio.

— No ano de 2019, com todas as dificuldades, a gente, sem ambulância reserva, conseguiu comprar, com recursos próprios do consórcio, três ambulâncias novas. Nossas ambulâncias são de 2016, algumas com mais de 300 mil quilômetros rodados e que precisam de paradas permanentes para a manutenção. Então a falta de ambulância reserva muitas vezes fazia com que, se a gente não tivesse isso, nós teríamos que paralisar os serviços em algumas cidades — relatou.

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José Márcio ainda celebrou as conquistas do consórcio e do Samu neste ano.

— Mesmo assim a gente pôde avançar com projetos novos como a questão da telemedicina, a realização das cirurgias ortopédicas, ajudando a desafogar o fluxo de cirurgias na nossa região de média complexidade de ortopedia. Tudo isso faz com que o consórcio se consolide cada vez como uma instituição de saúde, não só na administração do Samu, mas também ajudando a formatar a rede de urgência e emergência e a assistência hospitalar na nossa região, para que a população tenha um atendimento de excelência e de muita qualidade — explicou.

Novos objetivos

Para este ano, a expectativa é continuar a prestação do serviço e aguardar um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) sobre a possibilidade de o consórcio assumir a gestão do Hospital Regional em Divinópolis.

— O desafio para 2020 é manter em dias todas as nossas contas, apesar das dificuldades. (...) E agora, em 2020, nós estamos nesta luta pelo Hospital Regional, um equipamento de saúde importante para a nossa população. A gente está na luta, junto ao governo do Estado, para assumir, com a Prefeitura de Divinópolis e todas as prefeituras da região, a responsabilidade de terminar a obra, bem como gerir e fazer um modelo novo de gestão com parceria da iniciativa privada para que o hospital possa atender à nossa população com eficiência e qualidade — finalizou.

Liga menos,

atende mais

O Samu divulgou ontem o balanço anual. O número de ligações caiu de 238.035, em 2018, para 236.862, em 2019. Além disso, o serviço recebeu menos trotes. Em 2018, considerando todas as chamadas, 11,09% eram trotes. No ano passado, esse dado reduziu para 8,82%. Apesar da queda no número de chamadas, a serviço registrou um aumento na saída de ambulância, que passou de 48.593, em 2018, para 60.292, em 2019.

Segundo o médico e diretor técnico do Cis-Urg Oeste, Marco Aurélio Lobão Mendes, os números revelam uma maior consciência da população sobre a necessidade de acionamento ou não do Samu.

— Essa condição mostra que o cidadão está tendo mais consciência de ligar solicitando o auxílio do Samu nas condições de emergência e urgência mesmo. (...) Se a gente fizer uma amostra comparativa, numa residência com cinco pessoas, pelo menos uma ligou para o Samu, se fizermos uma comparação que nós temos 1,2 milhão de habitantes na região atendida pelo serviço do Samu — destacou.

Ocorrências

Conforme apontou o balanço de 2019 do Samu, o maior número de pacientes tem sido homens com mais de 60 anos.

— Dentre as causas dessas ligações, o que nós tivemos foram 70% de causas clínicas, como desconforto respiratório, causas cardiológicas, desmaios, dor torácica, queixa de dores que os pacientes sentem. Outros 20% são causas traumáticas [acidentes de trânsito e ferimentos por arma branca ou de fogo] e os outros 10% ficam entre atendimento pediátrico, obstétrico e psiquiátrico — detalhou Lobão.

O diretor técnico da entidade ainda destacou a melhoria no direcionamento dos pacientes às unidades hospitalares.

— Com as atenções que os hospitais e os prestadores estão dando para essa rede, a gente conseguiu colocar o paciente no local adequado, o paciente certo no local certo, aquele local que não é só o mais próximo, mas é onde ele vai ter o atendimento mais adequado para sua necessidade — destacou.

Por fim, Marco Aurélio Lobão Mendes ainda orientou a população a tentar manter a calma para atendimento.

— Estamos muito felizes com o Samu. Colocamos sempre nossos serviços à disposição da população. Precisando, não tenha receio de ligar para o 192. E a gente sempre pede paciência do solicitante para poder ser atendido, nos informando o endereço, a localização de maneira bem precisa, pois isso facilita o nosso trabalho e auxilia no tempo-resposta, que é o tempo em que a ambulância demora para chegar no local do atendimento — finalizou.

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