Salário para quem?

Boa parte dos professores da rede estadual inicia nesta quarta-feira, 20, o terceiro dia de greve, em protesto ao atraso de seus salários, ocorrido este mês. Nada mais justo, afinal, assim como o restante dos servidores estaduais, os professores se levantaram no dia 14 de junho e foram ao banco para utilizar aquilo que lhes é de direito. E a surpresa? O salário não estava depositado. O aluguel, o cartão de crédito, a água, a luz, e as demais contas teriam de esperar. Já não bastassem as condições, muitas vezes insalubres, nas quais trabalham, os professores tiveram de engolir a seco o atraso do salário neste mês.

A sensação é de que o estado de Minas Gerais revive o governo de Newton Cardoso, quando os servidores recebiam por escala e os atrasos e as greves eram constantes em vários setores. Foi apenas em 2002 que os servidores viram o que era receber o salário integral, todo 5º dia útil do mês. E assim foi até julho de 2016, quando Fernando Pimentel (PT) anunciou o escalonamento. A expectativa na época era de que o escalonamento durasse até outubro daquele ano. Ledo engano, há quase dois anos os servidores vivem a incerteza se terão salário na conta no mês seguinte, ou não.

Já não bastasse viver em um dos 30 países com maior carga tributária do mundo, a população agora amarga a falta de administração dos governantes. Não tem como negar que o atraso dos salários dos servidores está refletindo diretamente na sociedade. Sem salário, sem aula. Com isso, inúmeras ficam crianças em casa, aguardando o fim da luta de seus professores, para voltarem para dentro das salas de aula. E não há dinheiro que chegue, não há imposto que chegue para os governos. Quanto mais eles têm, mais eles querem.

Com impostos tão altos, o mínimo que a população esperaria era ter saúde de qualidade, educação de qualidade, infraestrutura e saneamento básico. Mas é preciso ir à luta, ir para as ruas, protestar por aquilo que lhe é de direito, pois todo dinheiro ainda é pouco. Não bastasse o Brasil estar entre os 30 países com a maior carga tributária do mundo, de acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem-estar da sociedade.

E diante de tal situação, não resta outra saída para os professores que não seja brigar, lutar, gritar, esbravejar. Afinal, foram eles que estiveram dentro das salas de aula para repassar o mínimo de conhecimento para crianças e adolescentes, porque o Brasil está também no penúltimo lugar em um ranking da educação em 36 países, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Sem investimento, sem infraestrutura nas salas de aula, os professores fazem o máximo que podem, com o pouco que têm e, apesar disso tudo, ainda precisam brigar pelos seus salários.

É vergonhosa esta situação e dizer que recebeu o Estado quebrado já não convence mais. Enquanto os engravatados desfrutam do conforto de seus escritórios, com ar-condicionado, e seus salários gordos em suas contas, os professores que fazem o impossível acontecer no dia a dia, precisam ir para as ruas para ter o direito de pagarem suas contas em dia. E viva a educação! E o salário em dia também!

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