Rumo às eleições, bastidores políticos se aquecem

Câmara aprovou ontem adiamento do 1º e do 2º turno; escolha das chapas é em dois meses

Matheus Augusto

Enquanto em Brasília deputados e senadores articulam o adiamento das eleições, nas cidades do país, pré-candidatos, prefeitos e vereador vão se aliando e formando, ainda de forma não oficial, alianças. Em Divinópolis, o cenário ainda é incerto, principalmente na formação de chapa. Apenas o empresário Fernando Malta (PSL) e o ex-vereador Sargento Elton (Patriota) anunciaram publicamente a parceria na corrida pela Prefeitura. E, mesmo assim, ambos ainda não definiram quem será o vice. Nos últimos dias, porém, o presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), pode ter dado uma prévia de outra candidatura.

Deslize

“Você é o vice mesmo, hein?”, disse Kaboja despretensiosamente para o 1º secretário da Mesa Diretora, Renato Ferreira (PSDB). O colega questiona: “de quem?”. “Do Galileu”, ele explica, completando que ouviu a informação do próprio prefeito. A breve conversa, na qual o presidente da Câmara não percebeu que o microfone estava ligado, ocorreu durante a última reunião da Câmara no primeiro semestre. Em um encontro marcado por discussões, o detalhe acabou passando despercebido no momento, mas viralizou horas mais tarde nas redes sociais, sendo revelado em primeira mão pelo Agora.

O Agora questionou o vereador Renato Ferreira se ele recebeu um pedido formal para se juntar ao prefeito no pleito. Ele pontuou que, no momento, ainda é especulação e tal decisão não depende apenas do desejo dele ou de Galileu, mas também das siglas.

— Fico feliz de ver meu nome sendo lembrado. Mas toda decisão passa pelo partido e também por Domingos Sávio, principal nome do partido em Divinópolis. Estamos aqui para servir — conclui.

Pode não

Apesar de Kaboja afirmar ter ouvido a possibilidade do atual líder do Executivo, a aliança com Renato pode não se concretizar. Fontes próximas ao prefeito garantem que o 1º secretário do Legislativo não deve ser o vice e outros nomes estão sendo avaliados, ainda sem nenhuma definição. 

A verdade é que o atual vice, Rinaldo Valério (DC), deixou de ser uma opção viável após os desgastes na atual gestão. A situação se agravou quando o líder do prefeito no Legislativo, Eduardo Print Jr (PSDB), expôs a tentativa de Rinaldo ‒ que nega as acusações ‒ em convencer os vereadores da base a mudarem seus votos e aprovarem o pedido de afastamento de Machado. 

A Prefeitura, perguntada sobre o desejo de Galileu em manifestar sobre o assunto, não comentou a fala do presidente da Câmara, velho aliado do prefeito.

— Trata-se de um assunto interno dos partidos políticos envolvidos na questão eleitoral. A Prefeitura não vai se manifestar sobre isso —explicou.

Mudanças

Os deputados federais aprovaram ontem o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/20, que prevê o adiamento do 1º e do 2º turno das eleições de 4 e 25 de outubro para 15 e 29 de novembro, respectivamente. Os parlamentares ainda precisam votar as possíveis alterações no texto.

A mudança de data, em conjunto com outros medidas analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ‒ como a extensão do horário de votação ‒, tem como objetivo garantir aos municípios mais tempo para assegurar uma eleição, do ponto de vista sanitário, segura, diante do cenário pandêmico.

O calendário eleitoral também sofreu alterações. Os partidos devem, entre os dias 31 de agosto de 16 de setembro, definir seus candidatos e as coligações.

Apenas a partir do dia seguinte, os concorrentes podem iniciar suas campanhas eleitoral, inclusive na Internet.

A única exceção é que, em caso de as condições sanitárias não permitires as eleições municipais, datas diferentes das estabelecidas pela PEC podem ser definidas pelo TSE.

Divinópolis, o ringue

Independentemente do dia determinado, alguns dos que se autoclassificam como pré-candidatos iniciaram a corrida por um cargo político. Na Câmara, e também fora dela, é comum ver discussões entre quem está no poder e quem quer entrar. Não à toa, diversos vereadores já reconheceram essa como a pior legislatura da Casa, que, em sua mais recente reunião, renegou o projeto a ser votado ao segundo plano e trocou acusações, indiretas e diretas. E, com a proximidade da eleição, o clima não deve amenizar.

Em Divinópolis, sete candidaturas à Prefeitura, com a participação de três mulheres, são dadas como certas. Para a disputa da Câmara, o número deve ser ainda maior, pois não são apenas uma, mas 17 vagas, com salário de R$ 9.133,23.

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