Revólver é arma mais apreendida em Divinópolis

 Gisele Souto

A onda de violência vivida há tempos e intensificada nos últimos anos, com registros de inúmeros assassinatos e roubos a perder de vista, a todo minuto, tem sempre a participação de uma vilã: a arma de fogo. Seja mais simples como uma espingarda ou de uso restrito como o fuzil, elas estão sempre à frente das ocorrências, envolvendo principalmente os homicídios. E um fato aumenta e agrava ainda mais a prática de crimes: mesmo as polícias apreendendo armas todos os dias, elas continuam nas mãos dos bandidos, que não cessam a prática de crimes. Em Divinópolis, segundo dados das polícias Militar e Civil, a média apreensão por dia é relativa, mas na maioria deles é 0,57. A soma desta média dá 4 por semana ou 16 por mês. Quantidade que retrata o número dos primeiros meses de 2018, período em que já foram confiscadas 21 armas, a maioria revólver, num total de 13 pistolas, uma espingarda, uma garrucha e uma escopeta.

Por enquanto, montante é considerado dentro da expectativa, o que não significa que o número continue pequeno até o fim do ano.  Prova disso é que 2017 fechou com 214 armas apreendidas, bem acima do total de 2016: 171. Na soma dois anos, foram 181 revólveres e 113 pistolas, primeiro e segundo lugares, respectivamente. Mas as armas de uso restrito não ficaram para trás. O número de escopeta e rifles chegou a 42 nos dois anos.

Mais utilizadas

Como comprovam os números acima, as armas de fogo apreendidas mais utilizadas em homicídios em Divinópolis são os revólveres, pistolas e garrucha. Calibres que circulam com facilidade entre os bandidos.

O comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar (23º BPM), tenente-coronel Rodrigo Teixeira Coimbra, atribui esta facilidade às chamadas armas de fogo ilegais, que, conforme ele explica, geralmente circulam entre os cidadãos infratores, adquiridas na informalidade.  

Ele observa que não há um estudo que comprove a origem das armas de fogo apreendidas em Divinópolis, mas há a hipótese de que elas tenham origem no tráfico internacional de armas. Além de armas furtadas ou roubadas, conforme salienta o comandante.

Circulando

Mesmo com apreensões todos os dias, muitas armas ficam em poder do crime organizado.

Porém, o comandante Rodrigo Coimbra explica que não se tem uma previsão de quantas armas ilegais estejam circulando na cidade.

— Há estudos que relatam a dificuldade de fiscalização e a grande extensão de nossas fronteiras, o que favorece o tráfico internacional de armas — conclui

Contrabando e roubo

O delegado regional da Polícia Civil, Leonardo Pio, diz que, infelizmente, por inúmeros fatores, as armas de fogo chegam às mãos de bandidos, seja pelo contrabando, roubo e até furtos das pessoas que possuem de forma legítima a posse de armas e munições.

— Lamentavelmente, elas chegam de vários locais, em especial de países do Mercosul — resume.

Apreensões

A Polícia Militar chega até as armas em ações realizadas dia e noite, através de abordagens e buscas pessoais, em veículos, casas, comércio e pessoas suspeitas. O comandante Rodrigo Coimbra revela que há ainda inúmeras operações militares desenvolvidas pelas unidades policiais e um grande apoio da população, que denuncia pessoas suspeitas e armadas, por meio do 190 e do Disque Denúncia 181.

Saiba mais sobre as armas

As armas de fogo possuem a classificação, quanto à permissão de uso:

- Arma de uso permitido: é aquela cuja utilização é permitida a pessoas físicas em geral, bem como a pessoas jurídicas, de acordo com a legislação normativa do Exército;

- Arma de uso restrito: só pode ser utilizada pelas Forças Armadas, por algumas instituições de segurança, e por pessoas físicas e jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas pelo Exército, de acordo com legislação específica.

Quanto aos calibres, aquela definição de  .40, 38, 9 mm, trata-se da medida do diâmetro interno do cano de uma arma, medido entre os fundos do raiamento; medida do diâmetro externo de um projétil sem cinta.

 

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