Revolta à vista

EDMILSON SIQUEIRA

A expectativa em torno da decisão do STF que deve ocorrer na semana que vem está se tornando o assunto mais discutido no Brasil. E não estou falando de redes sociais. Semana passada, fui comprar uma fechadura e o vendedor, quando eu li na nota fiscal o total de impostos que estava pagando (cerca de 35% do preço), disse que ia piorar se “aqueles juízes” resolvessem soltar todos os presos pela Lava Jato. O assunto era economia, mas ele rapidamente fez, corretamente, por sinal, a ligação com a corrupção.

No carro do Uber foi a mesma coisa. Mas aí foi o motorista que perguntou. Respondi que não achava nada boa a mudança de critério para soltar condenados em segundo grau e que havia o risco de aumentar a bandidagem comum pela rua. E ele me perguntou da Lava Jato. Disse que era a mesma coisa, só que prejudicando a economia, com o Brasil perdendo credibilidade no exterior e os investimentos se tornando mais ariscos se a corrupção voltasse a grassar. Sem contar que um fabricante de comida que vende para o governo também vai botar o preço da propina no produto que entrega em supermercados, gerando mais inflação.

Na roda de amigos que frequento num café central em Campinas, todos de terceira idade como eu, as opiniões se dividem em “vai dar m…” e “o Brasil tá fo…”.

Claro que há os petistas que, na expectativa de ver seu guru, seu santo milagroso, seu lavador de dinheiro disfarçado de padim ciço livre leve e solto arrotando suas costumeiras mentiras com a arrogância de sempre e tentando voltar – ele mesmo ou um poste qualquer – ao poder no Brasil, ficam assanhados e postam nas redes grandes defesas do absurdo que o STF quer fazer. Mas acho que são minorias, embora consigam fazer mais barulho.

A possibilidade de Lula e centenas ou milhares de condenados em segunda instância voltarem às ruas aterroriza qualquer brasileiro de bom senso. Não precisa ser um fanático do bolsonarismo para perceber o estrago iminente. As contas do número de beneficiados pela liberação geral do STF variam, mas todas têm números elevados. E há que se ver também que, do lado político, estarão soltos praticamente todos os cabeças da corrupção, gente que vai procurar se vingar de quem os condenou ou vai passar a zombar da cara do brasileiro honesto.

Os ministros do STF que praticarem esse absurdo terão de fugir das ruas, dos restaurantes, da classe econômica dos voos, ou seja, de qualquer proximidade com o que se convencionou chamar de povo.

Pessoalmente, tento planejar uma pequena revolta. Partindo do princípio de que os impostos todos que pago – voluntária e involuntariamente – servem não só para que políticos metam a mão neles e se enriqueçam sem trabalhar o suficiente, como também servem para pagar os enormes salários desses funcionários de toga que querem desgraçar o Brasil, procurarei sonegar o máximo possível. Não sei como ainda. Não vou dar dinheiro meu, sempre que possível, para abastecer as quadrilhas do crime organizado que estão para voltar a tomar conta do Brasil.

 

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