Respeito é bom e...

Luta! Esta, sem sombra de dúvidas, é a palavra que define a classe trabalhadora no Brasil. Luta-se todos os dias por direitos, condições de trabalho, comida, respeito, valorização e por sobrevivência. Há trabalhadores que saem de casa, rumo ao emprego, com no mínimo duas horas de antecedência, para enfrentar o trânsito, o transporte público, para sobreviver. Trabalham, às vezes, mais de oito horas por dia, em mais de um lugar, em nome da sobrevivência. Lutam! Afinal, isso aqui é Brasil. É o país onde se pisca e um direito vai embora. Pisca e perde o ônibus. Pisca e é assaltado. Este é o Brasil. A nação na qual a classe trabalhadora precisa lutar todos os dias para comer.

Infelizmente, esta é a realidade deste País, desde o seu descobrimento. Para a classe alta, tudo; para os trabalhadores, nada! Quase 520 anos se passaram e vive-se a mesma situação de quando os portugueses começaram a colonização por aqui. Mais de 500 anos e o povo ganha apenas migalhas, que exigem luta todos os dias para serem mantidas, pois, se piscar, também são tiradas. O exemplo disso é a atual luta dos servidores da Educação de Minas Gerais. Professores da rede estadual de ensino iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. A classe reivindica o pagamento do piso salarial nacional, o recebimento do 13º integral, além de igualdade no tratamento, uma vez que o governador Romeu Zema (Novo) concedeu reajuste salarial apenas para a Segurança Pública, esquecendo-se que em um Estado não se tem apenas uma profissão.

Pois, em meio a esta luta – mais do que justa e válida, os profissionais que batalham apenas por aquilo que é deles –, tiveram que escutar do deputado estadual Coronel Sandro (PSL) – que é pago para representar o cidadão no Poder Legislativo – a frase “vai trabalhar”, durante um protesto na manhã de ontem, na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O deputado disse tal atrocidade sem se quer se lembrar que só ele gastou, em 2019, em seu primeiro ano de mandato, R$ 153.581,70 de verba indenizatória. O parlamentar também não se lembrou que não é ele que trabalha em condições precárias e que ainda não recebeu o seu 13º salário. Coronel Sandro, eleito para representar o povo, esqueceu-se ainda que é só assim, por meio de luta e de greves, que os poderosos olham para os trabalhadores, servidores que levam na garra a educação do Estado, passam por todo tipo de abuso e lutam apenas para que os seus direitos sejam cumpridos.

Ver o desrespeito do deputado só traz uma sensação: a de descrença. Talvez tenha chegado o momento de se parar tudo, entregar o País de volta aos índios e pedir desculpas Falhamos! Ou melhor, falharam conosco. Falham todos os dias com o seu povo e com o dinheiro que ao povo pertence. Pensam apenas em si e insistem em desmerecer uma luta que é justa! Querem desmerecer o trabalhador que tudo produz. É, talvez o deputado tenha se esquecido que nenhum professor, ou melhor, nenhum trabalhador consiga ganhar o que ele gastou de fevereiro a novembro de 2019, e que estar nas ruas lutando por aquilo que lhe pertence é um trabalho árduo também.

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