Renovou mesmo?

O novo foi pedido, o novo chegou, o novo foi aclamado e o novo está aí. Assim como Divinópolis, Minas Gerais vive hoje a tão sonhada renovação da política. Em 2016, nas eleições municipais, o povo deu o seu recado e “passou o rodo” na Câmara. Dos 17 vereadores, só cinco conseguiram a reeleição. Dois deles só voltaram graças ao coeficiente eleitoral, pouco conhecido pela população. Cansado das velhas promessas, da velha “lenga-lenga” e de propostas que nunca saíram do papel, o povo simplesmente se cansou. E, levado por um novo marketing político e pelos vídeos cheios de discursos inflamados das redes sociais, o povo renovou. O povo acreditou mais uma vez na mudança. Porém, dois anos se passaram e o que essa renovação trouxe para a cidade?

Há dois anos, Divinópolis experimentou a mudança, mas está pior do que a deixada em 2016 pela “velha política”. As promessas são as mesmas. Só mudaram os meios de comunicação usados e o jeito de discursar. Os políticos continuam cumprindo o seu belo papel de marqueteiros de si mesmos. Entra ano, sai ano, entra político, sai político, e nada ou quase nada muda. O objetivo parece ser o mesmo: o poder. Quem já identificou esta situação se impressiona e se entristece, pois sabe que é apenas a ovelha caindo na boca do lobo. É apenas o lobo gravando vídeo, com palavras bonitas, falando para as ovelhas que confiar nele é o melhor caminho, é a melhor solução. Assim, milhares e milhares de ovelhas caem todos os dias na conversa fiada do lobo, porque estão com medo da raposa.

Cada vez mais experts em midiatismo, os políticos levam mais e mais eleitores na lábia, como nunca feito pela velha política. E assim a renovação chega. A mudança chega também. Mas será que chega mesmo? Romeu Zema (Novo) ganhou as eleições com esse discurso de renovação. Três semanas depois, o que mudou? Poucas coisas mudaram. Os atrasos dos repasses constitucionais das prefeituras continuam como se Fernando Pimentel (PT) ainda estivesse no poder. Os salários seguem escalonados, tudo como se a “petezada” estivesse à frente do Governo do Estado. Uma das poucas coisas que mudaram é que agora o governador chama a Polícia Militar (PM) para os prefeitos que vão para a sua porta com o pires na mão.

Em um ato inédito, vários prefeitos foram “recebidos” por policiais militares na Cidade Administrativa, nesta segunda-feira, 21, quando tentavam conversar com o governador. Tratados como vândalos, os chefes dos executivos municipais, que lutam todos os dias contra a falta de gestão do Estado, sequer conseguiram uma satisfação de Zema. Ou pelo menos um “muito obrigado por estarem fazendo o impossível para manter as cidades de vocês vivas”. Na verdade, talvez, já possam arrumar outro sinônimo para renovação que não seja “melhoramento, melhorias, modernização, aprimoramento, aperfeiçoamento”, porque nada disso essa tal “renovação” tem feito. Pelo menos até agora. A esperança é que os mandatos que agora se iniciem ainda mostrem a que vieram e deem os resultados que a população tanto espera.

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