Regra que não se admite exceções

Editorial 

Embora se pareça um termo recente, segundo o dicionário Merrian-Webster, a expressão fake news surgiu no fim do século XIX. E de lá prá cá ganhou força e desde 2016 tem vivido o seu ápice, pois domina o cenário em todo o mundo, independentemente de ideologia ou sistema de governo.

As fake news ignoram os princípios básicos da informação: transparência, impessoalidade  e imparcialidade, que são valores que devem estar presentes no jornalismo, sob pena de se  tornar um disseminador de sensacionalismo barato, mais preocupado em chocar do que em informar. 

O jornalismo, mesmo opinativo, tem que ter como base os fatos tais como ocorreram, senão é literatura na qual se pode flanar nas asas da imaginação, ou seja, sem qualquer credibilidade, a não ser no mundo da imaginação, mas aí já é outra estória na qual a história se perde.

Segundo Enéas Carneiro, “A caneta de um mau jornalista pode fazer tão mal quanto o bisturi de um mau médico”, mas isso não cabe somente ao jornalismo, mas a todo aquele que tem a função de informar, desde o médico sobre o real estado do paciente – sendo que em alguns casos a informação deve ser aos familiares devido à gravidade – até o remédio na sua bula sobre as indicações, contraindicações e efeitos colaterais.  A lista é imensa!

Os princípios acima elencados devem estar presentes não somente no jornalismo, mas em todos que têm a função de informar. É uma regra que não admite exceções.

Nas eleições gerais de 2018 tanto Jair Messias Bolsonaro (ex-PSL, atualmente sem partido) quanto Fernando Haddad (PT) foram acusados de disseminar informações falsas um sobre o outro e, diante da gravidade, foi instaurada a CPI das Fake News. Se não acabar em pizza, já é um avanço. 

E, como se não bastasse, temos a divulgação de notícias falsas tão graves quanto o mal que elas causam, as existentes sobre a pandemia pelo novo coronavírus. O que é verdade? O que é mentira? Quem está certo? Quem está errado? Não somente no Brasil, mas em todo o mundo,  não se sabe o que é verdade ou mentira sobre a covid-19, pois até os esclarecimentos dos médicos e cientistas são divergentes.  A conclusão que se tira é que pouco se sabe sobre essa doença que, além de ser letal, ainda tem devastado com a economia.  

Claro que em se tratando de algo ainda desconhecido os números podem mudar, o que não quer dizer  que antes se publicou uma notícia falsa. Um exemplo é sobre o custo da pandemia do novo coronavírus. No fim de março de 2020, a agência de notícias Bloomberg – empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro –, sediada em Nova Iorque, estimou que o surto custaria  mais de US$ 280 bilhões (R$ 1,2 trilhão) à economia mundial nos três primeiros meses do ano, ou seja, até 31/03/2020.  Aqui não se tem uma fake news, mas, sim, porque os números de pessoas infetadas e mortas têm aumentado de forma assustadora, exigindo mais investimento em caráter global, o que, claro, reflete sobre a economia.

Que os números mudem, isso se espera, pois, como dito, ainda não há consenso entre os médicos e cientistas, mas o que não se pode é ocultá-los, sem esclarecer abertamente o porquê, como decidiu na última semana o governo federal por meio do Ministério da Saúde. Isso só gera mais insegurança e desconfiança.

Não importa do que se trata ou quem esteja envolvido, nós, do Jornal Agora, temos o compromisso de informar e, para tanto, temos trabalhado diuturnamente para que a notícia chegue até você, leitor, respeitando os princípios básicos da informação, seja na versão impressa ou na virtual e, se houver alguma contradição, ocupamos o mesmo espaço para esclarecer, porque nosso compromisso com você, leitor, vai além de vender jornal e propaganda,  mas, sim, levar a informação isenta, deixando para você formar a sua opinião.

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