Reduzir salários de vereadores

Bob Clementino


As eleições de 2020 já estão provocando um surto de clareza administrativa nos vereadores de Divinópolis, nunca visto até então. E ainda faltam 424 dias para sua realização, em 2 de outubro de 2020.

Na reunião extraordinária desta quarta-feira, 24, vários vereadores defenderam redução de despesas na Câmara, que apelidei de “ilha paradisíaca". Dentre outras sugestões para isso, está o pedido de diminuição das assessorias parlamentares pela metade, ou seja, das quatro atuais de cada gabinete para duas. A meu ver, não se justifica propor uma redução de despesas na Casa Legislativa sem a boa vontade dos senhores vereadores de reduzir, vigorosa e primeiramente, os seus próprios salários.

R$ 9.781.062,20

Este é o valor bruto que nos custarão os 17 vereadores eleitos em 2020, se os salários deles continuarem a ser R$ 11.064,55.

Conta simples: cada edil receberá de salário mensal R$ 11.064,55 que, multiplicados por 12 meses, chegará a R$ 132.774,60; acrescido do 13º salário, este valor sobe para R$ 143.839,15; e, multiplicado por quatro anos de mandato, somam-se R$ 575.356,60. Cada vereador receberá mais de meio milhão de reais por quatro anos de mandato. Portanto, os 17 vereadores, em quatro anos de mandato, nos custarão a absurda quantia de R$ 9.781.062,20.

Economia é reduzir salário dos vereadores

Como se constata pela aritmética acima, se os edis querem mesmo reduzir as despesas da Câmara e, por tabela, encantar o eleitorado, eles têm de reduzir seus salários antes de exonerar um ou dois assessores parlamentares. Vamos de novo às contas: os edis nos custarão, na legislação 2021/2024, R$ 9.781.062,20.

Mas se os atuais vereadores aprovarem projetos que determinam redução nos salários do prefeito, vice e vereadores a partir de 2021 pela metade, teremos uma economia, em quatro anos, de R$ 4.890.531,10. Isso sim seria uma boa economia, senhores vereadores, que poderia ser devolvida à Prefeitura em estado de calamidade financeira, para atender às demandas da população.

Falsos

Um vereador, tempos atrás, disse que se cobrissem o Congresso Nacional viraria circo, e se cercassem viraria hospício. A roda da história girou e esta máxima popular serve também para explicar alguns acontecimentos na Câmara de Divinópolis. Que a Casa Legislativa deve reduzir despesas é fato, incluindo diminuir também o número de assessores comissionados. Mas seria cômico, se não fosse trágico, ouvir edis se posicionarem a favor da exoneração de servidores, depois que seus apaniguados, por “ene” motivos, já foram exonerados pelo prefeito.

Assim fica fácil apoiar exonerações.

Filho de peixe, peixinho é!

José Venâncio é um conhecido articulador político que, quando usa a Tribuna Livre da Câmara, cria o maior rebuliço. Arguto, corajoso, faz críticas e denúncias contra vereadores, prefeito, deputados, assessores e Ministério Público (MP), deixando todos com os nervos à flor da pele. E se não bastasse todo o escarcéu na
tribuna, ainda vai para rua São Paulo vender CDs com as provas das suas denúncias. Não raro sai preso da Câmara, o que não o intimida. E como quem não sai aos seus não degenera, seu filho, Daniel Venâncio, tem feito nas redes sociais críticas e denúncias importantes que contribuem para o aperfeiçoamento ético das ações políticas e de políticos. Daniel Venâncio é mestre em história e discente do doutorado em lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Recentemente, publicou na Revista de História Regional, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no estado do Paraná, um estudo sobre os processos de modernização urbana ocorridos na cidade de Divinópolis, no período de transição entre os séculos XIX e XX.

Breve publicaremos aqui.

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