Rede de apoio pré-vestibular está com inscrições abertas

EducAfro é uma iniciativa presente em municípios pelo país; em Divinópolis, inscrições se encerram hoje, 24

Da Redação

Entrar na faculdade é um dos sonhos e desafios da juventude no país. A falta de incentivo à educação é um empecilho, principalmente para pessoas que não dispõem de condição para uma educação particular ou algum curso preparatório para o vestibular.

Divinópolis conta hoje com um projeto que objetiva auxiliar na formação de jovens que tenham o interesse de conseguir uma vaga na faculdade. É o EducAfro, uma iniciativa social fundada em 1989, no Rio de Janeiro. A ideia foi concebida pelos frades franciscanos, que, ao passar dos anos, estruturaram o projeto na proposta de oferecer incentivo à educação de jovens negros e de baixa renda.

O pré-vestibular, além de ocupar o espaço deixado pelas políticas públicas, o faz de maneira gratuita. Em Minas Gerais, a iniciativa se instalou no bairro São José, em Belo Horizonte, no ano de 2000 e, de lá pra cá, se estendeu a cinco cidades do interior do estado, incluindo Divinópolis.

Visa à cidadania

O objetivo central do EducAfro é capacitar jovens negros e de baixa renda a pontos de eles competirem em igualdade por uma vaga em um curso de graduação. Em Divinópolis, a iniciativa ganha um nome especial: Florescer, e dentro de suas preocupações está também o compromisso de fazer surgir lideranças e jovens-cidadãos conscientes em suas comunidades.

O Agora entrevistou um dos coordenadores do projeto na cidade, Adriano Mauro. Ele conta que o Centro Franciscano da cidade é um dos mantenedores do projeto.

— Aqui, o núcleo Florescer foi idealizado pelo frei Laércio Jorge OFM, administrador do Centro Franciscano de Formação e Cultura naquela época. Ele quem cedeu o espaço do Centro para a realização das aulas, que se iniciaram em 2017.

De acordo com o coordenador, os professores que lecionam para os alunos exercem a função em caráter voluntário.

— Os professores são voluntários que se identificam com a causa e se oferecem para lecionar. Eles são entrevistados pela coordenação do cursinho, que tem a autogestão como um dos pilares, e, juntamente com os professores veteranos, é organizado um corpo docente para abranger todas as disciplinas necessárias.

Sobre a finalidade do projeto para a cidade, Adriano Mauro destaca que a ação está relacionada ao princípio de inclusão social.

— Trata-se de uma proposta de inclusão, inserção e permanência com princípios voltados para a autogestão, voluntariado, cultura e cidadania, visando fortalecer o cidadão através do acesso ao ensino superior.

Frutos do EducAfro

O Agora também conversou com o Vitor Farias, hoje estudante de jornalismo na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e ex-aluno do pré- vestibular EducAfro.

— O cursinho não é só para colocar gente na faculdade, é para reivindicar o direito de grupos socialmente excluídos e inserir o jovem na sociedade para que ele exerça seu papel com voz e consciência.

O estudante relembra um personagem importante para o projeto até aqui e ainda fala um pouco de sua gratidão aos professores do projeto.

— Tenho muita gratidão pelo frei Laércio, porque ele nos incentivava a conseguir nossos materiais e assim nos incentivava para a vida. O EducAfro me abriu os olhos, apesar das adversidades. Eu aprendi lá não só o conteúdo para o Enem, mas valores de solidariedade, o espírito de luta e cooperação.

Outro que teve a experiência de se preparar para o Enem com o EducAfro foi o estudante Pedro Gomes. Atualmente estudante de farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele defende a importância de a universidade ser para todos.

— Hoje eu vejo que esta iniciativa me ajudou a ter consciência do que é a universidade pública brasileira e de valorizá-la. A população brasileira tem que saber disso e conhecer os trabalhos desenvolvidos da universidade pública, pois é um lugar de todos. Foi esse conhecimento que o EducAfro me ajudou a ter.

Quem pode participar

O EducAfro oferece apoio estudantil a jovens negros e de baixa renda. As inscrições para o ano letivo de 2020 terminam hoje. O interessado deve realizar inscrição on-line na página do projeto na internet. Depois disso, haverá aplicação de prova e apresentação de documento por parte dos candidatos, além de entrevista presencial.

Trabalho realizado

— O núcleo Florescer de Divinópolis tem alcançado bons resultados, não só de inserir os alunos nas universidades, mas também de formar cidadãos mais críticos e humanos — finalizou o coordenador Adriano Mauro.

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