Recuperação econômica acelera com vacinação e pode ser inibida por crise hídrica

Euler Vespúcio

Passados quase três anos, o governo federal continua a apostar na falta de responsabilidade na gestão pública e, com isso, se omite na adoção de ações necessárias.

Em 2021, a recuperação econômica tem sido desigual. De um lado, temos grandes produtores (agronegócio e mineração) com recordes de faturamento, e, de outro, temos a maioria da população sofrendo o desemprego, pobreza, perda de renda, encarecimento dos alimentos etc.

Nesse contexto e em um quadro pré-eleições de 2022, o governo populista amplia programas de ajuda social e econômica para as camadas mais carentes, com aumento do endividamento público e desestímulo ao investimento.

Esse feito é uma decisão política fácil, mantém milhões em formas indignas de ajuda, desestimula a oferta de mão de obra para o mercado de trabalho, gera maior déficit público, mostra a incapacidade de se formular soluções mais dignas e sustentáveis.

Para o médio e longo prazo, o melhor seria ter políticas voltadas para gerar pessoas menos dependentes da ajuda pública e ter alternativas de aferição de renda digna para todos.

O governo também mostra inação para adotar ações concretas para diminuir o ritmo inflacionário no setor de alimentos (arroz, feijão, leite, óleo etc.) e de construção civil (ferro, cimento etc.).

A falta de disposição também se mostra na ausência de política para estimular a reindustrialização no Brasil, agravadas pelos efeitos inflacionários da crise hídrica, sem ao menos criar estímulos à energia solar (fotovoltaica) e eólica.

Após o recuo da atividade econômica de 4,1% em 2020 causado pela pandemia, esperava-se do governo ações efetivas no sentido de mapear os setores mais afetados e adotar ações para reativá-los o mais rápido possível, juntamente com plano de construção e reconstrução dos setores mais dinâmicos da economia. Sem atuação, o país assiste a perda de mão de obra qualificada.

O único setor operante do governo tem sido o Banco Central, o qual, após seguidas baixas das taxas de juros, passou a elevá-las para enfrentar as remarcações sucessivas de preços.

Dessa forma, o governo age como público torcedor, que somente acelerou a aquisição de vacinas após os desgastes políticos com a publicação dos seus equívocos. Com a aceleração da imunização, tivemos a queda do número de infectados e mortos.

A vacinação tem gerado a melhoria da economia, mas a crise hídrica (ao gerar alta de custos para setores da economia e até falta de energia) e o aumento dos juros para combater a inflação podem inibir o crescimento.

Em 5 de março de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou: “Se fizermos muita besteira, dólar vai a R$ 5”. Infelizmente ele estava certo, pois os erros no combate do coronavírus, as falhas na gestão do sistema elétrico, as crises políticas incentivadas por um presidente falastrão, a omissão em adotar medidas urgentes fizeram o dólar chegar a quase R$ 6.

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