Recomposição de delegados da Polícia Civil ainda é incerta

Representantes políticos de Divinópolis estiveram em Belo Horizonte para tratar tema com chefe do órgão

Matheus Augusto

Um dos temas recorrentes na cidade é o quadro deficitário de delegados da Polícia Civil. Dos 16 profissionais que Divinópolis tem direito, dez vagas estão vazias. Com isso, os delegados ativos precisam se desdobrar para lidar com a demanda da criminalidade. Representantes políticos e de entidades divinopolitanas foram ontem a Belo Horizonte para uma reunião com o chefe da PC de Minas Gerais, Wagner Pinto de Souza, para reforçar o pedido de recomposição do quadro de efetivos. No entanto, a situação ainda é incerta.

Adequações

Participaram da reunião a presidente Câmara de Dirigentes Lojistas de Divinópolis (CDL), Alexandra Galvão Barros, e a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Divinópolis (Acid), Léo Gabriel. Quem também marcou presença no encontro foi o vereador Sargento Elton (Patriota), presidente da Comissão de Segurança Pública, Turismo e Defesa Social (CSPTDS), que reforçou o pedido da recomposição do quadro de delegados na cidade. Em nota, ele informou que “o chefe da Polícia Civil sensibilizou-se e se comprometeu a aumentar o efetivo de delegados em Divinópolis”.

O deputado estadual Cleitinho Azevedo (CDN) também esteve presente e foi um dos articulares da reunião, solicitada pelo Grupo Gestor e pelos vereadores Janete Aparecida (PSD) e Sargento Elton. Através de sua assessoria de imprensa, o deputado informou que o chefe da PC explicou que não seria possível enviar seis delegados, tendo em vista a demanda apresentando por todas as regionais no estado, que também estão com o quadro deficitário. Ainda segundo Cleitinho, Wagner afirmou que fará um esforço para encaminhar o maior número de profissionais possíveis.

O deputado estadual ainda informou que o chefe da PCMG estuda realizar adequações no quadro de delegados das regionais. Segundo Cleitinho, um dos exemplos citados foi Formiga, que tem sete delegados para 70 mil habitantes, enquanto Divinópolis tem apenas quatro profissionais para uma população de cerca de 240 mil.

Câmara

A vereadora e membro da CSPTDS Janete Aparecida falou sobre o tema durante seu discurso na Câmara. Segundo ela, o quadro de delegados foi, ao longo do tempo, reduzido, e hoje é composto por apenas seis profissionais.

— (...) Divinópolis já contou com 16 delegados. Hoje nós temos seis atuando, sendo que desses a gente sempre tem algum de férias e quase sempre um problema de licença. Somente dois estão condições de fazer plantão. Ou seja, com a demanda que nós temos aqui é impossível que esses profissionais continuem trabalhando dessa forma. Nós fomos até lá [Belo Horizonte] para pedir a recomposição do número de delegados, escrivães e detetives — explicou.

O pedido vem em um momento oportuno, visto que, no próximo mês, uma turma da academia da Polícia Civil irá se formar. No entanto, segundo Janete, o número de formandos é insuficiente para atender o quadro deficitário dos municípios mineiros.

— Nós teremos agora no dia 17 de outubro o término de uma das turmas da academia e, no dia 18, eles já poderão trabalhar. Nós teremos a formação de 78 delegados e 854 municípios precisando. Ou seja, o número não fecha nunca. O que nós fomos pedir? Que fosse recomposto pelo menos seis delegados para podermos ficar com doze — afirmou.

Apesar da reunião, nenhuma perspectiva definitiva sobre a situação foi determinada. Ainda em seu discurso, a vereadora ressaltou que uma cidade do porte de Divinópolis precisa ter o quadro de funcionários da Polícia Civil recomposto e, para isso, é preciso união.

— Nós contaremos com a sensibilidade do Wagner e do governador Romeu Zema (Novo) para que venha para Divinópolis, pelo menos, o efetivo de quatro a seis delegados para recompor, além de escrivães e detetives. É impossível que a gente possa continuar trabalhando, que uma cidade que é polo do Centro-Oeste. (...) Nós precisamos recompor nosso quadro e esse efetivo. E só juntos, sociedade civil, entidades de classes, os políticos, todos convergindo no mesmo pensamento, é que daremos conta — conclui.

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