Rainha de Copas

 

O governador Romeu Zema (Novo) recebeu um ultimato dos deputados estaduais. Em uma carta enviada ao chefe do Executivo, os parlamentares pediam – mais uma vez – diálogo aberto com o governador. É verdade que uma das poucas promessas que Zema tem cumprido em seu mandato é se manter isolado do Poder Legislativo. Se isso vai trazer resultado para Mina Gerais, ainda não se sabe, e não há como prever. Por mais que a Constituição Federal determine que os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – sejam independentes, mas harmônicos entre si, durante anos a fio perdura a velha política do “toma lá dá cá”. Zema prometeu que não faria conchavos políticos e que administraria o Estado com independência. Mas há de se ter cautela ao tomar alguma atitude com tanta radicalidade.

Se há algo que precisa ser feito antes de qualquer reforma é a ‘Reforma Política’. Hoje, ficou mais do que nítido e notório que o sistema político adotado no Brasil, em 1988, não funcionou muito bem. Os três poderes agem em uma harmonia que passa da conta. Extrapola qualquer interesse que seja da população. Porém, é necessário um diálogo aberto entre Executivo e Legislativo, para que decisões sejam tomadas de forma correta e eficiente, em prol do povo.

E, mais uma vez, uma das máximas da comunicação vem à tona. Para que a mensagem tenha efeito, são necessários um emissor e um receptor. Se a corrupção perdurou no Brasil por tantos anos, e teve um fluxo contínuo entre os poderes com o troca-troca de cargos, as malas cheias de dinheiro, emendas parlamentares e obras em troca de votos em projetos de lei, é porque teve o emissor e o receptor.

Receber prefeitos na Cidade Administrativa com a Polícia Militar (PM), não se abrir ao diálogo, parcelar o 13° salário dos servidores em 11x, não conversar com deputados estaduais, se isolar em seu castelo, como a Rainha de Copas, só demonstra que Zema não estava preparado para ser eleito para tal cargo. Abrir-se para uma conversa com o Legislativo não significa necessariamente que algo de errado será feito. O “algo” errado só será feito se houver emissor e receptor. Se uma dessas partes “falhar”, em prol de valores, de honestidade e de um propósito, com certeza nada será concretizado, e a humanidade dará um passo rumo à evolução.

Adotar uma postura fria, distante e montar um personagem de rede social, (parecendo uns de Divinópolis) sem sombra de dúvidas, não é a melhor escolha para o momento que Minas Gerais atravessa. Os mineiros querem alguém para resolver a crise? Sim! Querem alguém para trabalhar? Sim! Querem o suposto fim da velha política? Claro! Mas querem também que tudo isso seja feito dentro da realidade, não apenas em um jogo de marketing político, que esconda um rombo e a incapacidade de gerenciá-lo. E, se o sistema da política “toma lá dá cá” teve seu tempo contado, o sistema “Rainha de Copas” também terá, pois é preciso, acima de tudo, antes de assumir uma responsabilidade, saber que o cargo traz em si a essência da coletividade, do “todos”, do “nós”, e não do “eu”. O povo precisa de um governador, não de uma “Rainha de Copas”.

 

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