Racismo é mais que burrice, é coisa do mal

 

Comemoramos ontem, 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra.

A data foi criada em 2009, incluída no calendário escolar e instituída como data oficial pela Lei 12519 de 2011.

Cerca de mais de mil cidades no Brasil têm o Dia Nacional da Consciência Negra como feriado, além dos estados de Alagoas Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, dentre outros.

O objetivo principal da data é anualmente atrair a sociedade à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

A oportunidade coincide com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil, que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista.

Consideramos muito importante o Dia da Consciência Negra, pois, busca de forma efetiva reconhecer os descendentes africanos e sua participação efetiva na construção da sociedade brasileira – hoje a população negra ultrapassa as demais, o que reforça que somos um país da raça negra.

O dia não foi somente de comemorações e homenagens, mas, sim, e sobretudo, momento para colocar na mesa das discussões em todo o território as questões lamentáveis de racismo, discriminação, desigualdade social, para justamente buscar a inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira.

Veja que, sendo a população predominante de negros, jamais poderíamos falar em inclusão dos negros na sociedade, pois, hoje são a maioria da população, inclusive nos campos das universidades – justamente pelas políticas sociais de inclusão.

Mas, infelizmente, ainda temos casos de afronta aos direitos dos negros e dos direitos humanos – afrontas essas inadmissíveis numa sociedade que quer ser chamada de primeiro mundo.

Diariamente, somos surpreendidos com casos graves e recentes de violência a negros no Brasil e no mundo: 1) Um funcionário de um programa de TV, "A Fazenda 2019", durante as gravações do programa chamou uma das participantes de "macaco", episódio confirmado pela empresa, que teve seu contrato rescindido, em 5 de novembro; 2) no último dia 10, os jogadores de futebol Dentinho e Taison foram vítimas de racismo no clássico ucraniano entre Shakhtar Donetsk e Dínamo de Kiev, no qual a torcida visitante fez sons de macaco; 3) Neste mesmo dia, um segurança que trabalhava no jogo de futebol entre Cruzeiro e Atlético foi alvo de racismo por um torcedor do Atlético; 4) No dia 19 deste mês, véspera da data comemorativa, o deputado federal Coronel Tadeu destruiu uma placa de uma exposição sobre o tema "O genocídio da população negra", que chamava atenção sobre as mortes de negros em combates policiais.

Vejam que são casos graves e recentes, que mostram que estamos longe de acabar com o racismo, a discriminação, a desigualdade social entre negros e outras raças – se é certo falar em raça, pois, entendo que somos uma só raça, vinda de um só Deus.

E é nesta seara que vou buscar minha conclusão de hoje, pois, o ser humano a cada dia se deteriora cada vez mais, deixando-nos perplexos até onde tudo isso pode chegar, por tamanha falta de razão e bom senso.

As pessoas devem entender que não há nenhuma maldição em ser negro e nem muito menos uma bênção ser branco, parda, amarela etc. Assim está escrito em Atos dos Apóstolos, 10.34-35: "Pedro então começou a falar: ‘De fato, estou compreendendo que Deus não faz diferença entre as pessoas. pelo contrário, ele aceita que o teme e pratica a justiça, seja qual for a nação a que pertença’”.

Se Deus não faz acepção de pessoas, quem somos nós? Quem somos por entender que podemos ser mais que outro por causa de cor, raça etc? Isso é mais que burrice, é coisa do mal, do demônio, e, por isso, devemos buscar em Deus, através da oração, a sabedoria que vem do alto, para implantarmos em nossa sociedade uma cultura da aceitação e da paz – pois, lei humana nenhuma vai mudar esse quadro. 

Eduardo Augusto Silva Teixeira – Advogado
easteduardo@yahoo.com.br

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