Querida Amazônia!

Raimundo Bechelaine

Divulga-se hoje, em Roma e no mundo todo, a nova exortação apostólica do papa Francisco. É o pronunciamento pontifício, dirigido a toda a Igreja, no qual o papa sintetiza e torna oficiais as recomendações do “Sínodo Pastoral sobre a Amazônia”, realizado em outubro do ano passado. Traz um sugestivo e singelo título: “Querida Amazônia”. A data de 12 de fevereiro tem um sentido. Lembra o assassinato de Dorothy Stang, a freira que defendia a floresta e a população pobre.

A exortação pós-sinodal vem cercada de grande expectativa e deverá render muitos comentários, análises e, certamente, polêmicas. Isto, aliás, ocorreu com o próprio sínodo, que suscitou debates e opiniões bastante radicais e até violentas, mesmo de quem não sabia do que lá se trataria. Embora dissesse professar a fé católica, certo escrevinhador chegou a agourar, não sem um adverbial erro de português, que está tardando a morte do papa. Estaria o agourento, talvez, desejando para Francisco um novo Ali Agca, desta vez mais competente na pontaria?

Além dos conhecidos aspectos políticos, ideológicos e econômicos que envolvem a Amazônia, uma questão suscitou embates acalorados. É que o documento preparatório a ser estudado no sínodo (“instrumentum laboris”) mencionava a sugestão pastoral da ordenação sacerdotal de homens casados, inclusive indígenas, para o atendimento das comunidades mais isoladas nas remotas regiões do interior da mata amazônica.  Ou seja, a Igreja passaria a praticar naquelas situações específicas o que sempre praticou tranquilamente em outras latitudes, como no Oriente Médio.

Aqui mesmo, na Diocese de Divinópolis, recebemos, há poucos anos, a visita de um sacerdote casado, acompanhado de sua esposa. Celebrou a missa na Paróquia de Nossa Senhora do Líbano, em Carmo do Cajuru.  O casal, que viajava em férias, visitou o então bispo diocesano, Dom Tarcísio Nascentes.

Outro ponto gerou contradições. Seria estudada no sínodo a ampliação do papel eclesial das mulheres, talvez com a possível instituição de diaconisas. As polêmicas, entretanto, sempre passam e a história prossegue.

Certamente, a exortação pós-sinodal “Querida Amazônia” abrirá horizontes para a evangelização naquela imensa região, que abrange nove países. Contribuirá também para uma renovada consciência evangélica a respeito da questão ecológica. Eis que somos chamados à sua leitura atenta.  jorababech@gmail.com

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