Quem pagará a conta?

José Carlos de Oliveira 

Normalmente, o Guarani paga um bom dinheiro para entrar em campo nos seus duelos pelo Módulo II – comparando a receita com bilheteria e as despesas com os seus jogos (arbitragem, funcionários da FMF e com o estádio) – pois as rendas mal dão para cobrir os custos. E o pior, tem que pagar adiantado, do contrário o confronto nem é disputado.

Realidade

Esta é a triste realidade do Bugre e de muitos outros clubes pequenos pelo Brasil afora, que raramente chega ao conhecimento dos seus torcedores. Para cobrir os custos com um jogo de futebol, só se os estádios estivessem sempre cheios, o que raramente sucede.

Mas fica ainda pior quando o clube se vê obrigado a jogar com os portões fechados, o que aconteceu na rodada do fim de semana, pelo Campeonato Mineiro.

Custo alto

Por determinação da Federação Mineira de Futebol (FMF) o Guarani enfrentou o Democrata de Sete Lagoas sem a presença de seu torcedor, mas, mesmo assim, teve que arcar com os custos com a arbitragem e o quadro móvel da Federação, que sempre se faz presente nos jogos dos estaduais, com o clube ficando no prejuízo, pois não contou com a receita da bilheteria. Ou seja, o Bugre teve que pagar para jogar, desembolsando cerca de R$ 30 mil para entrar em campo, e sem ter de onde tirar o dinheiro.

Nada contra

Tudo bem que a ocasião exigisse uma medida drástica, pois a saúde da população vem sempre em primeiro lugar, mas o que não pode acontecer é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as federações estaduais jogarem a responsabilidade nas costas dos clubes. Fechem-se, sim, os portões, mas que os clubes sejam desobrigados de arcar com os custos das partidas.

Não podemos é aceitar a forma como as coisas foram feitas, com os dirigentes da CBF e das federações estaduais jogando para a galera e deixando na mão os clubes.

Triste realidade do futebol brasileiro, na qual os dirigentes das federações só enxergam o próprio umbigo e acabam penalizando seus associados (os clubes), que são sempre aqueles que pagam as contas.

 

A turbulência na Raposa

O Cruzeiro vive mais um capítulo na crise que se instalou no clube com a péssima atuação das últimas administrações, que deixaram a Raposa a um passo de fechar as portas. Se não fosse a ação do Conselho Gestor, era isso que iria acontecer, pois o clube estava no buraco, falido.

Demissões

Agora, com o time acumulando resultados negativos em sequência, sobrou para o técnico Adilson Batista e para o diretor de futebol, Ocimar Bolicenho, que foram mandados embora depois da derrota do fim de semana, para o Coimbra, em mais um vexame do time estrelado, que vem se notabilizando por dar vida a defuntos.

Tudo bem que os dois não fizeram por merecer ficar no cargo, mas o que não pode continuar é esse estado de derrocada que se implantou no clube estrelado, com muitos torcendo para dar errado apenas para tirar proveito da situação.

Política

Tudo que sucedeu nas últimas semanas no time azul estrelado é tão somente o reflexo da briga interna que se instalou na política do clube, com grupos divergentes brigando pelo poder. E não era hora para isso. Na eleição, marcada para o mês de maio, tinha que haver um consenso, com um candidato único disputando o pleito e assumindo o mandato tampão.

Mas não é assim que pensam determinados dirigentes. Decidiram brigar pelo cargo e dividiram novamente o clube, num momento em que apenas a união de todos será capaz de evitar o pior.

Com seus egos inchados, os dirigentes brigam pelo poder como um cão atrás de um osso, e, para se dar bem nas eleições, torcem até contra o próprio time. Para esse pessoal, as derrotas servem de combustível para alavancar suas candidaturas.

Bando de “manes”, que ainda não enxergaram a verdade. O clube azul é de sua torcida, da china Azul, e todos os torcedores já se cansaram dessa disputa medíocre.

Quer o cargo? Então que coloque em primeiro lugar o bem do clube, e não os seus interesses pessoais. E estamos conversados...

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