Quem paga a conta?

Editorial 

Se tem uma coisa que o brasileiro está acostumado é a pagar uma conta que não é sua e sempre sair prejudicado nas mais diversas situações. E é claro que, em uma pandemia, isso não seria diferente. Em Divinópolis e em outros municípios aconteceu o que todos esperavam. Dois meses após a disseminação sem proporção do coronavírus, prefeituras anunciam que vão escalonar os salários dos funcionários. Em Divinópolis, a peleja já começa amanhã. Quem recebe acima de R$ 3,5 mil terá o seu vencimento parcelado, em outras palavras, pagará uma conta que não é sua. Quem acompanha a política local de perto viu que há duas semanas alguns vereadores tentaram emplacar um projeto de lei que reduzia a remuneração dos vereadores de R$ 12 mil para um salário mínimo. A proposta era bem controversa, pois seria aplicada apenas para os parlamentares da próxima legislatura, ou seja, os atuais 17 continuariam a ganhar os seus R$ 12 mil tranquilamente. 

Depois de muita polêmica, um novo projeto foi protocolado, e uma emenda que reduzia em 25% os salários dos vereadores, passando de R$ 12 mil para R$ 9 mil, foi aprovada. Mas, mais uma vez, somente para a próxima legislatura. Seria hipocrisia criticar a aprovação, pois, se 2020 as coisas já estão difíceis, imaginem em 2021, quando a humanidade estará “juntando os cacos” do que restar desta pandemia. Então, de fato, toda e qualquer economia que for feita nos cofres públicos será bem-vinda, ainda mais em Divinópolis, a cidade que “cobre um santo e descobre outro”. Apesar de ser válida, a proposta não é motivo para aplausos, afinal, os nobres edis não fizeram mais que sua obrigação, pois reduzir o salário e gerar economia nada mais é do que voltar para o povo um dinheiro que lhe pertence – assim espera-se. E, como dizem por aí, político não deve ser aplaudido, político deve ser cobrado, afinal, eles são servidores públicos a serviço da população, de onde vem seus gordos salários. 

Tanto falou-se desta redução de salário que a população esqueceu de cobrar de diversos membros do Legislativo, deputados, senadores e do Judiciário. Esse último aí, prefere a morte. E do Executivo também. Mas a emenda da vereadora Janete Aparecida (PSD) prevê redução nos rendimentos do prefeito, vice e secretários ainda neste mandato. Não ficarão ilesos em meio ao caos.  Resta saber se passará como passou com facilidade a mínima redução dos vereadores. Como para eles ainda não tem nada, sobrou para quem? Para os contratados e para os servidores pagarem esta conta. Vários foram dispensados e vão ter que se virar nos 30 para pagar suas contas. No entanto, é preciso mais. Até agora nem sinal de redução de salário da turma de Brasília, que recebe bem até demais. Nenhum sinal de redução dos milhares de auxílios para que a economia seja voltada para o povo e ele receba em forma de investimento um dinheiro que é seu. Todos continuam com seus gordos salários, seus inúmeros auxílios e suas mordomias. 

Além de ter que conviver com o medo de pegar a doença e não ter leitos disponíveis nos hospitais, além do medo da fome, do desemprego, da miséria e do desamparo, mais uma vez o brasileiro paga uma conta que não é sua, para manter político com toda sua mordomia. É só o Brasil sendo o Brasil.

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