Quem é Romeu Zema?

Empresário surpreendeu ao ter 42% dos votos válidos e quase foi eleito governador no primeiro turno

 

 

Da Redação 

Empresário, natural de Araxá, dono de uma rede de lojas de eletrodomésticos e de postos de combustíveis, Romeu Zema é dono de um patrimônio de R$ 45 milhões. O empresário, filiado ao partido Novo, disputou pela primeira vez uma eleição, e quase ganhou – de virada – em primeiro turno o cargo de governador de Minas Gerais. Zema aparecia em terceiro lugar nas pesquisas de intenções de voto e surpreendeu com os seus 4.138.905 votos. Tirou da competição o atual governador, Fernando Pimentel (PT), e disputa o cargo com o senador e ex-governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB).

Em entrevista ao Agora, quando ainda era pré-candidato, o empresário, que não teve coligação, tempo de TV e recursos do fundo eleitoral, afirmou que mudaria o sistema de liberação de emendas parlamentares dos deputados estaduais e criticou o sistema político brasileiro.

— Nossa Constituição criou um sistema que foi feito para não funcionar adequadamente. Infelizmente, teremos que que conviver com isso algum tempo, com as emendas parlamentares, mas já vamos começar fazendo à nossa maneira. O deputado estadual que tiver direito a emenda parlamentar, no meu mandato, só poderá usá-la quando me mostrar que aquele projeto realmente está trazendo benefícios para a população — reforçou.

A entrevista foi concedida um dia após Zema registrar em cartório o documento em que abria mão do seu salário de governador, enquanto a situação dos salários dos servidores do Estado não estiver resolvida. Caso eleito, Zema enfrentará grandes problemas como salários dos servidores escalonados, atrasos nos repasses das prefeituras e déficit de mais de R$ 5 milhões no orçamento do Estado. Conforme afirmou o empresário,

— O que eu fiz serve tanto para mim, quanto para o vice [governador] e o meu secretariado. Vale lembrar que essa situação do funcionalismo público vai demandar um tempo. Nós não estamos falando de três meses, seis meses, não. Estamos falando de alguns anos para colocarmos tudo em dia. Isso já demonstra um sacrifício, uma boa vontade enorme da nossa parte — afirmou.

Apoio 

Após se garantir no segundo turno, Romeu Zema partiu em busca de apoio. Apesar de ter pedido voto para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), mesmo seu partido tendo João Amoêdo disputando a Presidência da República, Zema disse na noite deste domingo, 7, que seguirá a orientação do partido sobre a qual presidenciável será dado seu palanque. Porém, o empresário deixou claro que prefere não se aliar a Fernando Haddad (PT). Zema completou dizendo:

— No entanto, se essa for a orientação da legenda, cumprirei o acordo “contrariado”.  Sou um soldado do partido, mas não votaria e nunca apoiaria o PT — justificou.

Renovação 

Quando questionado sobre sua virada nas urnas, o empresário creditou ao “cansaço dos mineiros com os políticos de sempre”. Com um discurso de renovação, o candidato disse ainda que está confiante no resultado do segundo turno, uma vez que seu adversário, Anastasia, representaria os “políticos de sempre”. Seguindo a linha da entrevista dada ao Agora em agosto, Zema anunciou o compromisso de não convocar nenhum deputado estadual ou federal para assumir cargos em seu governo, e afirmou que terá um secretariado 100% técnico. O empresário afirmou também que reduziria as 21 secretarias para nove. O Novo elegeu três deputados estaduais.

— Os secretários serão escolhidos da mesma forma que uma empresa. Vamos selecionar no mercado — prometeu.

 Conchavos 

Assim como dito ao Agora, em agosto, o candidato ao Governo de Minas voltou a afirmar que não aceitará conchavos políticos, e nem vai transformar o governo em um “balcão de negócios”. Quanto à articulação com o Poder Legislativo, até mesmo para a aprovação de projetos de lei de interesse do Governo, o empresário foi enfático, disse que será transparente e, se for preciso, apontará por meio da imprensa qual ou quais deputados se negam a aprovar um projeto importante para Minas.

— Não tenho rabo preso com ninguém — argumentou.

 

 

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