Quem avisa

Quem avisa

Existe um ditado por aí que diz o seguinte: “quem avisa amigo é”. Sim, é verdade! Quem vê a situação com antecedência e avisa as suas possíveis consequências, amigo é! O Agora, em uma edição da semana passada, avisou que a situação da Unidade de Prono atendimento Padre Roberto (UPA) não era das melhores e se tornaria mais uma novela na cidade. Aliás, essa novela ganharia novos capítulos, e mais dramáticos, pois, desde a sua inauguração, em março de 2014, a UPA é uma verdadeira novela mexicana. Dizem por aí também que relembrar é viver. E isso também é verdade. Em sua inauguração, o então prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo (PSDB), disse em seu discurso que a unidade melhoraria a saúde pública da cidade. Pois é, Vladimir disse isso. Mesmo com a redução e leitos, segundo o ex-prefeito, o atendimento de urgência e emergência seria modelo.

Na teoria, a UPA funcionaria, sim: o paciente daria entrada na unidade, seria classificado de acordo com o protocolo de Manchester, receberia atendimento médico e, caso necessário, seria transferido para um hospital. Na teoria era lindo, maravilhoso. Mesmo com a redução de leitos, a unidade seria um exemplo de atendimento de urgência e emergência. E tudo sob a gestão da Santa Casa de Misericórdia de Formiga, que, na época, estava sob a direção de Geraldo Couto. O tempo foi passando e meses depois de sua inauguração, o provedor da UPA, Geraldo Couto, foi preso e afastado de seu cargo. Estava instaurada ali a primeira crise da unidade. Logo depois, vieram os corredores superlotados, pois não havia vagas para transferência dos pacientes. O Complexo de Saúde São João de Deus, que era a referência da UPA, enfrentava o auge de sua crise e, por diversas vezes, ameaçou fechar as suas portas. Vladimir viu ruir o seu plano de UPA perfeita bem diante de seus olhos.

Depois disso foi só ladeira abaixo. A UPA nunca cumpriu o seu propósito, que era otimizar o atendimento de urgência e emergência. E os representantes da população quiseram jogar essa culpa nas costas do povo, por diversas vezes, com os seus discursos hipócritas. Diziam que o povo não sabia usar a UPA. Que era só sentir uma dorzinha de cabeça que a população procurava a Upa, causando a superlotação. E falavam isso de boca cheia, sem ao menos se perguntarem se a Atenção Básica da cidade funcionava corretamente. Se o cidadão que sentisse uma dor de cabeça forte procurasse o posto de saúde às 14h, seria atendido por um médico, mesmo com as fichas de atendimento distribuídas as 5h da manhã. E foi assim, aos trancos e barrancos, que a unidade sobreviveu até hoje, com ameaças de greve, de interdição do CRM e com emendas parlamentares que a salvavam aos 45 minutos do segundo tempo.

Para ser a “cereja do bolo”, veio uma mudança de gestão, que deixou os funcionários da unidade “a ver navios”. E, como dissemos na semana passada, o pagamento de acertos trabalhistas, a dispensas de funcionários e a transferências de servidores de carreira era só a ponta do iceberg. A população terá que se preocupar de fato com a redução do quadro de funcionários, que, segundo a Prefeitura, “não afetará em nada o atendimento na unidade”. Mas esse discurso soa um pouco familiar. E quem avisa, amigo é!

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