Queimadas e outras ações podem explicar aparição de onça no bairro Planalto

Especialista diz que felino foi obrigado a mudar seu habitat natural; buscas chegam ao 5º dia

Bruno Bueno

Os moradores do bairro Planalto, em Divinópolis, não falam de outro assunto nos últimos dias. A aparição surpresa de uma onça-parda na última quinta-feira, 29, nos arredores de um condomínio localizado próximo à rua Delfinópolis, assustou e gerou dúvidas de como o animal silvestre foi parar na área urbano.

As buscas, organizadas pelo Corpo de Bombeiros em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), chegaram ontem ao 5º dia, sem sucesso. Os especialistas trabalham para identificar a origem da aparição do animal, que pode estar ligada às queimadas e incêndios florestais.

Queimadas

O grande número de queimadas na região pode ser uma das causas. Conforme dados do Anuário Estatístico do Corpo de Bombeiros, Divinópolis registrou, somente nos primeiros seis meses deste ano, 457 incêndios florestais, número 94% maior do que as 236 ocorrências contabilizadas no mesmo período do ano passado. 

Com as chamas, os animais são obrigados a sair de seus habitats naturais e se deslocam para outros locais do município. É o que explica o médico-veterinário do IEF Érico Furtado Alvares, especialista que está trabalhando nas buscas pelo animal.

— O principal motivo de o animal ter aparecido na área é a perda de habitat. Queimadas, criação de áreas de cultivo, degradação de terras e outros vários fatores podem contribuir para que esse felino tenha saído do seu local e se deslocado para tão próximo da cidade — disse.

Território

Outro fator, conforme o especialista, que pode ter causado a mudança de habitat do animal é a mudança de território.

— Estamos trabalhando com suposições, já que temos somente os vídeos e ainda não capturamos o animal. Se for um felino idoso, ele pode ter sido obrigado a mudar de habitat para não ser atacado por outro animal mais jovem e da mesma espécie — ressaltou.

Zona urbana

Ainda segundo o veterinário, a onça-parda não tem problemas em entrar em zonas urbanas e outros locais que não são considerados ideais.

— É um animal que não fica somente em áreas ideais. Temos recebido diversos registros dentro de cidades, pois se trata de um felino que consegue ficar numa biodiversidade ruim. Sendo assim, ele pode adentrar nas zonas urbanas sem problema algum — afirmou.

Para Érico, é difícil prever o paradeiro do felino.

— Algumas informações podem indicar que a onça está morando próximo à Siderúrgica Valinhos, mas é muito incerto. Ela já pode ter evadido pela rodovia, no período noturno, ou em qualquer outro lugar — disse.

Buscas

Até o fechamento desta edição, às 18h de ontem, o Corpo de Bombeiros ainda não havia encontrado a onça-parda. Segundo a corporação, as buscas continuam e agora seguem com pistas e vestígios encontrados pela equipe.

— No sábado, dia 31 de julho, após levantamento realizado pelos técnicos do Ibama e IEF, observando-se, principalmente, possíveis vestígios que indicariam locais por onde o animal teria passado, decidiu-se pela instalação da armadilha em área pertencente a uma siderúrgica existente nas imediações. A inspeção é realizada no mínimo duas vezes por dia — explicou.

Mesmo com os vestígios, os Bombeiros consideram baixo o risco de ataque às pessoas próximas ao local.

— No entanto, todos os órgãos envolvidos nas buscas recomendam cautela aos moradores das imediações, evitando andarem sozinhas pelas ruas do entorno, principalmente à noite — afirmou.

Repercussão

A aparição do animal gerou muita repercussão entre os divinopolitanos. 

— Esse desmatamento desenfreado em Divinópolis, em nome da prosperidade e a favor do desenvolvimento, tem que ter responsabilidade com as vidas, seja ela humana ou animal. Esse resgate tem que ser feito com todo conhecimento e cuidado — disse a internauta Luciane Rabello nas redes sociais do Agora.

Outro internauta disse que o animal já deve ter saído do local.

— Sabendo que esse animal gosta de andar e caçar à noite, uma hora dessas já devem estar lá no Cacoco ou na cidade de Marilândia — comentou Yago Wesley na mesma publicação.

Síndica

Outro desdobramento da ocorrência que chamou a atenção foi o depoimento da síndica do condomínio, Paula Martins. Por meio de áudio divulgado nas redes sociais, a mulher orientou os moradores que ficassem em casa.

— O que o veterinário do Cetras me orientou é que evitem a circulação noturna nas proximidades do condomínio, tanto a pé como de moto. É um animal com hábitos noturnos e que ataca humanos. Durante esse período difícil, eu vou pedir que as pessoas não circulem à noite no local — disse.

A síndica voltou a pedir cuidado aos moradores.

— As autoridades já estão mobilizadas e eu me posicionei com todos os órgãos responsáveis. Agora é calma, estratégia e fazer a nossa parte para capturar o animal. Eu nem arriscaria nem de dia. Ela está à procura de comida. Conto com o apoio de vocês — explicou.

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