Quarto ano consecutivo sem o tradicional desfile de aniversário

Crise econômica e pandemia impediram festividades; populares relembram grandes momentos de anos anteriores

Bruno Bueno

Era tradição. Com chuva ou sol, quente ou frio, todo dia 1º de junho, aniversário de Divinópolis, a avenida que carrega a data da comemoração era tomada por milhares de divinopolitanos que aguardavam ansiosamente a chegada de cavaleiros, bandas, alunos e personalidades importantes que desfilavam com alegria e disposição.

Hereditária, a tradição de levar a família e convidar os amigos para o desfile esteve presente no sangue do divinopolitano desde a primeira festividade, em 1912. À época, os primeiros munícipes comemoraram a emancipação do até então arraial do Espírito Santo da Itapecerica. 

No entanto, um dos principais marcos da história da “Cidade do Divino” amarga, hoje, uma triste marca. Pelo quarto ano consecutivo, a cidade comemora seu aniversário sem o tradicional desfile.

Quatro anos

A Prefeitura apresentou nos últimos três anos, 3 motivos diferentes para não realizar o desfile. Em 2018, com o estouro da greve dos caminhoneiros, acompanhada da falta de repasses do Estado, o Executivo ‒ que tinha como prefeito Galileu Machado (MDB) ‒ optou por não realizar a festividade. Foi a primeira vez em 105 anos que o desfile não aconteceu.

Já em 2019, o prefeito Galileu alegou que a cidade não tinha condições financeiras de arcar com o desfile que, segundo o Executivo, gerava, à época, um gasto de R$ 70 mil para o Município. Já no ano passado e neste, a pandemia do novo coronavírus foi o empecilho.

Com a cidade, praticamente silenciosa, o tradicional desfile deixa saudade no coração de vários divinopolitanos, que têm muitas histórias de um dos principais eventos que aconteciam na cidade.

Famílias

Quem lembra dessas histórias com carinho é Welber Tonhá. O pesquisador e historiador de 46 anos participava frequentemente dos desfiles e relembra com carinho sobre as famílias que atravessavam a cidade para acompanhar as atrações na avenida.

— A falta dos desfiles priva a alegria de muitas famílias, principalmente das áreas periféricas. Eu presenciei inúmeras vezes as pessoas pegarem seus banquinhos de plástico, atravessarem a cidade e se colocavam em qualquer lado da  1º de Junho, esperando a passagem das escolas, bandas, autoridades, funcionários públicos, atletas, personalidades importantes, e das cidades convidadas — afirmou.

Crianças

Welber também relembra a felicidade que as crianças tinham em participar do desfile.

— Para as crianças, ser escolhido para desfilar com sua escola era uma festa. Ver sua mãe, pai e avó, esperando você passar era uma sensação impagável. Ainda tinha os tropeiros que desfilavam com sua cavalaria, reforçando a tradição regional enorme que a cidade tem no campo — salientou.

Mesmo com quatro anos sem desfile, o pesquisador ainda se recorda de todos os momentos e tem esperança que as festividades voltem. 

— Lembrar desses momentos, das autoridades no palanque, o hasteamento das bandeiras, onde você sentia o amor da cidade pelas pessoas mais simples, é sensacional. Elas não tinham condição de ir para um show caro, mas estavam ali. Além disso, tinha o comércio que era fortalecido. Tenho saudade disso, espero que um dia volte — completou.

Apaixonada

Outra pessoa que também não perdia um desfile é Talita Calazans. A professora, de 36 anos, que relata ser apaixonada por Divinópolis, conta que começou a frequentar a tradicional festividade ainda quando era pequena.

— Quando eu era menininha, já ia com minha avó. Era uma tradição, todo ano nossa família arrumava um jeito de ir. É um momento em que as pessoas se reúnem para demonstrar o amor e o carinho por Divinópolis. Tenho muita saudade dos desfiles, mas entendo os motivos que causaram o cancelamento nos últimos anos — disse.

Mudança

Um dos principais rumores quando se fala de uma possível volta do desfile é a mudança do local. A avenida 1º  de Junho, sede da festividade há muitos anos, pode ser substituída por outra rua da cidade. Talita afirma que, se pudesse escolher, não mudaria de lugar o tradicional evento.

— Tudo depende dos estudos que vão ser feitos sobre isso. Sinceramente, eu prefiro manter o local por conta da tradição, mas, se for o único jeito do desfile voltar, a mudança não surtirá efeito para mim — explicou.

Prefeitura

O Agora questionou a Prefeitura Municipal sobre a possibilidade de voltar com o tradicional desfile, se as condições sanitárias permitirem, em 2022. O Executivo não confirmou o retorno, mas afirmou que fará uma grande festa.

— Em 2021, se Deus permitir, e o cenário for favorável, faremos uma grande comemoração — respondeu. 

 

 

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