Quanto vale?

Esta foi pergunta feita no editorial deste Agora na edição de ontem. A referência é à vida humana que a cada dia no Brasil é ceifada a troco de nada.  Por uma discussão de trânsito, por uma disputa de mulher, pela disputa de um ponto de droga, por R$ 10 de uma pedra de crack... Enfim, por nada. A forma banal como a vida vem sendo tratada é de se horrorizar. Isso, não somente no Brasil, mas aqui a situação é ainda pior. De quem é a culpa? Quando isso vai parar? Armar a população seria uma alternativa? Vale uma profunda reflexão.

Por quê?  

Também uma pergunta difícil de responder que ficou na cabeça de muita gente ontem, no Brasil e no mundo. O que levaria dois adolescentes a entrar em uma escola e abrir fogo?  Não havia alvo, apenas pessoas inocentes, incluindo crianças. Jogos de videogames transformados em realidade? Vingança por algum motivo como bullying, ou só covardia mesmo? Questionamentos que por muito tempo ficarão sem respostas. E, quando chegam, são incapazes de diminuir a dor de quem perdeu um parente na atrocidade.

Inocentes pagam

Pela ganância, pelo egocentrismo, pela falta de amor ao próximo, pela falta do “não” da família, pela corrupção que está na veia de muitos, pela libertinagem que rola solta. Enfim, por uma sociedade desorganizada e gananciosa, pela falta de representantes dignos e pela omissão dos políticos e outros responsáveis. O resultado de tudo isso é que as tragédias registradas em 2019 tiraram a vida de 221 pessoas. A maior delas, onde as vidas foram trocadas pelo minério e as gordas cifras do exterior, a de Brumadinho, 201 perderam a vida. No CT do Flamengo, 10, e, ontem, na escola, também 10. Quantos mais precisarão morrer para que alguma coisa seja feita?

Espanto e surpresa

Os dois adolescentes que levaram terror à escola ontem, usaram um revólver calibre 38 e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha, o que deixou policiais que atenderam a ocorrência, espantados. Depois de alvejar  o tio de um dos assassinos em uma revendedora de carros, os dois entraram na escola atirando na coordenadora pedagógica, em um funcionário e nos estudantes, todos pegos de surpresa, visto que estavam no horário do recreio. Tudo planejado e cometido com a maior frieza, como se o ato fizesse parte da rotina deles. Inacreditável, mas passível de acontecer.

Não? Sim.

'Essas coisas não aconteciam no Brasil', diz Mourão (PRTB) sobre massacre em Suzano, disse o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, sobre a tragédia na escola de Suzano. Como não? É tanto que aconteceu. Claro que é mais comum em outros países, como os Estados Unidos, mas ninguém está livre de viver isso em seu quintal. Por práticas condenáveis como esta, a humanidade caminha para sua destruição, infelizmente.

Posse de arma

Se esquivando de respostas convincentes, Hamilton Mourão não considera que a tragédia em Suzano tenha relação com o debate sobre flexibilização da posse e porte de armas, uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na campanha, mas admitiu que a associação neste momento será inevitável. Pelo menos nisso, ele tem razão. Aguardemos, digníssimo vice-presidente.

‘No comments’

Mourão não quis opinar sobre a fala do senador Major Olímpio (PSL-SP), que disse que a tragédia seria evitada se os professores da escola estivessem armados. Questionado sobre a declaração, Mourão respondeu: "no comments (sem comentários, em inglês)". Realmente, dispensa comentários, senhor major.

Menos egoísmo

Não foi a primeira e nem será a última vez que tragédias como estas tiram a esperança de milhares de brasileiros. De forma violenta, crimes como este, em Brumadinho e no Ninho do Urubu, CT do Flamengo, marcarão para sempre muita gente e o ano de 2019. Para quem acredita, as previsões feitas por astrólogos, cartomantes e outros já apontavam para um ano complicado, e olha que ele está apenas começando. Que Deus nos proteja e as pessoas sejam menos egoístas e não amem o dinheiro acima de tudo.

Comentários
×