Quando será minha vez?

Editorial

Janeiro, sem sombra de dúvidas, foi um mês que entrou para a história do Brasil. No dia 17, foi aplicada a primeira vacina contra a covid-19 no país. Mônica Calazans, uma enfermeira de 54 anos, foi a primeira a receber a dose do imunizante e se tornou um símbolo de esperança, afinal, há  quase um ano a humanidade enfrenta esse inimigo invisível, sem saber o que será o amanhã. E, se o brasileiro vive esta agonia há quase um ano, há quase um mês outra angústia acometeu a população: quando eu vou vacinar? A vacina chegou ao Brasil, chegou a Minas Gerais, chegou a Divinópolis. Mas tudo parece ainda meio perdido, meio sem rumo. As dúvidas insistem em tomar o povo que, já meio calejado das situações que vivencia, começa a ser tomado pela desesperança diante da vagareza, da falta de transparência dos governos, dos “fura-filas” e das constantes mudanças no plano de imunização. 

Divinópolis recebeu ontem mais 1.630 vacinas da Coronavac. Este é o terceiro lote dos imunizantes que a cidade recebe. Ao todo são 11.618 doses. O número ainda é praticamente insignificante, uma vez que a cidade tem cerca de 240 mil habitantes e, para que a imunização dê certo, é necessário que cada cidadão tome duas doses da vacina. Mas, mesmo sabendo que o Município ainda está longe de atingir 50% da imunização da população, a atual situação da vacinação contra a covid-19 em Divinópolis preocupa. Segundo a última atualização divulgada pela Prefeitura em suas redes sociais, até o momento foram imunizadas 6.041 pessoas, sendo que 3.836 receberam apenas a primeira dose do imunizante, e 2.205 já receberam as duas doses. A justificativa do Executivo para tanta “vagareza” é o remanejamento de profissionais para compor a equipe de imunização. 

A falta de agilidade no processo chegou ao extremo – junto com as cobranças da população, que anseia ser imunizada – que foi necessário o Executivo divulgar uma nota afirmando que vai “agilizar” a vacinação na cidade. O que chama a atenção é que a nota foi divulgada na mesma semana em que o Executivo reforçou que teria como prioridade a retomada da economia. Tudo isso é no mínimo controverso, pois, se de um lado é necessário que todos estejam vacinados para voltar ao normal – e aí sim a economia ser retomada como deve –, por outro, ao que tudo indica, isso vai demorar, afinal, a campanha de vacinação anda a passos de “tartaruga”. Além da incoerência, o que mais entristece no momento é pensar que isso é Brasil. Que tudo está dentro dos conformes. Vagareza, confusão, falta de transparência, notícias falsas e fura-filas. Tudo feito a “toque de caixa”. Tudo está dentro do normal. 

Diferente mesmo seria hoje neste espaço comemorar que Divinópolis já estava vacinando o segundo grupo e que o processo estava adiantado. Mas não. Assim como a imprensa teve que divulgar o caos desde o início, agora, faz o mesmo com a bagunça em meio à esperança, a falta de planejamento em meio à luz do fim do túnel. É como dizem por aí, “nada é tão ruim que não possa piorar”. 

 

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