Qual edil precisa de um psicólogo?

 O vereador Marcos Vinícius (Pros), que é sempre elegante e ponderado nos seus discursos no plenário, integra a CPI do IPTU. Na reunião da última terla-feira, ele pediu uma “questão de ordem” para questionar a interpretação do artigo VI, parágrafo 98, do Regimento Interno, feita por outro edil. Marcos Vinícius explicou que o subscritor do pedido da CPI do IPTU, interessado em participar da Comissão, poderá fazer parte dela, mas não poderá ser presidente ou relator. Vinícius garantiu que os membros farão um trabalho “absolutamente desapaixonado de questões pequenas" e disse ainda que a Comissão não iria se submeter a quaisquer outros interesses politiqueiros, interesses pessoais, de sentimentos que porventura não foram correspondidos, porque, para ele, a Comissão não é para isso. Sem citar nomes, deixou claro que se algum vereador acha que a Comissão deve se preocupar com motivações eleitoreiras, “seria questão até de um divã, questão de tratamento psicológico e até psiquiátrico”. Um dos vereadores achou que Marcos Vinícius se dirigia a ele.

 E a carapuça serviu...

 Depois da fala Marcos Vinicius, o vereador Edson Sousa (MDB) pediu ao presidente Rodrigo Kaboja direito de resposta, por se sentir ofendido pelos “conselhos” de Marcos Vinicius. O presidente não cedeu a palavra ao vereador, sob o argumento de que Vinícius não citou nenhum vereador. Irredutível, o emedebista contestou: “ele não falou meu nome por covardia”. O presidente Kaboja encerrou a discussão, mantendo o seu entendimento de que Marcos Vinícius não citou nome de ninguém. Ora, se o vereador se indignou e julgou que a fala de Marcos Vinícius o tinha como destinatário, quem deve explicações agora é ele.

 Sintram quer tirar água da pedra-1

 Para se resolver um problema que nos aflige é importante descobrir sua causa. Essa dica serve também para os diretores do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região, que enfrentam um governo que atrasa, parcela salários e não pagou o 13º referente a 2018. Por que o governo Galileu Machado (MDB) não prioriza o pagamento dos salários dos servidores? Seria porque historicamente não tem respeito por eles, já que na administração 2001/ 2004 atrasou três meses de salário e mais o 13º, ou porque é vítima de atrasos de verbas estaduais? Ou,quem sabe, sejam as duas questões?!

 Sintram quer tirar água da pedra-2

 Todos os argumentos e ações usados pelo Sintram para ameaçar greve são verdadeiros:

Diz o Sintram:

— Absurdo o governo Galileu manter tantas nomeações de cargos comissionados tendo em vista o caos financeiro.

— Se a Prefeitura não tem dinheiro, é hora de cortar gastos — orientava corretamente uma faixa no protesto dos servidores diante da prefeitura.

 — Divinópolis é única que ainda não quitou 13º e isso demonstra falta de planejamento financeiro por parte do prefeito e sua equipe — afirma o Sintram, e é verdade! Porque das 57 cidades que compõem a região Centro-Oeste, só Divinópolis e mais duas cidades não estão pagando em dia os salários dos servidores

 O vice-presidente do Sintram, Wellington Silva, após pedir o comprometimento da Câmara, disse explicitamente que muitos cargos comissionados são para atender troca de favores do Executivo com membros do Legislativo. E é verdade! Tenho denunciado isso também.

 Sem resultados práticos

 Mas até onde estas manifestações trarão resultados esperados pelo Sintram e servidores municipais? Para mim, em nada! Vereadores continuarão fazendo troca-troca com o prefeito e o alcaide já deixou claro que pagamento de salários em dia está condicionado à regularização dos repasses que o Estado retém em seus cofres. E quanto aos servidores comissionados, não há perspectivas de dispensas, já que se a Secretaria da Fazenda dispensar 92 contratados, eliminando 62 cargos comissionados e ainda reduzir carros e computadores, isso traria R$ 2,5 milhões em economias aos cofres da prefeitura, o que representa apenas “uma gota no oceano”. Então, não está no horizonte da atual Administração reduzir cargos comissionados.

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